A sua verdadeira identidade em Cristo

Um dos estudos mais fascinantes da Palavra de Deus é sobre o Tabernáculo de Moisés. Trata-se de um quadro maravilhoso do Senhor Jesus e da Nova Aliança. Nós, na verdade, pensamos usando imagens. Quando pensamos em algo, não pensamos na palavra ou no conceito daquilo, mas na sua imagem. Deus, então, nos dá imagens que podem ser impressas em nosso coração. O Tabernáculo está cheio dessas imagens.

Nessa mensagem, quero me deter apenas no estudo das tábuas que compunham o Tabernáculo. A descrição dessas tábuas está em Êxodo 26.15-30.

A madeira em bases de prata

Cada tábua representa um crente individualmente. Cada tábua era constituída de madeira. Sempre que vemos madeira na Palavra de Deus, ela representa o homem criado. Essas tábuas, porém, estão cobertas de ouro. O ouro aponta para a justiça de Deus e sua glória. Todos nós temos a natureza humana, mas fomos revestidos do ouro da justiça de Deus.

As tábuas estão firmadas cada uma delas em duas bases de prata de um talento cada. A prata na Bíblia sempre aponta para a redenção. Fomos comprados por preço. A palavra “redenção” significa “comprar de volta, resgatar”. Evidentemente, a prata é apenas um símbolo, pois nunca poderíamos ser redimidos por coisas naturais.

Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. (1 Pe 1.18-19)

Uma tábua equivale hoje a cerca de 1 dólar, mas uma base de prata vale mais de 7.500 dólares. Então, o fundamento é mais caro que a madeira. O que isso nos fala? Em nós mesmos, como homens, não temos um grande valor, mas a obra sobre a qual estamos edificados é muito valiosa. A madeira colocada sobre o fundamento está firmada num lugar de riqueza, um lugar de redenção.

Todos nós éramos como árvores no deserto. Éramos arbustos solitário empoeirados. A madeira provinha da acácia que cresce no deserto. A acácia cresce num lugar muito empoeirado. A poeira na Bíblia é muito negativa porque aponta para a comida da serpente (Gn 3.14). Quando éramos essa árvore empoeirada no deserto, nossas raízes estavam na terra que Deus amaldiçoou. Esta é a razão por que existem maldições que passam por gerações. Se o nosso fundamento está enraizado neste mundo, então os nossos recursos são limitados a esta terra caída debaixo de maldição.

Quando somos salvos, Deus nos corta do suprimento deste mundo. Ele nos transforma em tábuas para a sua edificação. Somos, então, edificados casa de Deus. Não somos colocados deitados, mas somos colocados de pé na sua presença.

Assim, o Senhor coloca uma base de prata sob os nossos pés e somos firmados na obra da redenção.

Havia duas bases de prata para cada tábua. Por que eram duas? Porque a obra da redenção teve dois momentos: a morte e a ressurreição do Senhor Jesus. O Senhor Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação.

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. (1 Co 15.17)

A ressurreição do Senhor é o recibo de garantia de que a redenção foi aceita diante de Deus. Os pecados foram pagos e Deus aceitou o pagamento. A prova disso é que Cristo ressuscitou. Quando Ele morreu, levou consigo os nossos pecados, mas, quando ressuscitou, os nossos pecados ficaram nas profundezas da morte.

Entretanto, o Senhor não apenas nos tirou do deserto empoeirado, Ele nos transformou em tábuas para a sua edificação. Assim, Ele nos colocou sob o fundamento do evangelho e também nos cobriu de ouro. Agora, quando Ele olha para nós, não vê a madeira, apenas o ouro. E o ouro aponta para a justiça de Deus. Fomos justificados, recebemos a justiça de Cristo como ouro sobre nós.

Isso mostra que não estamos apenas alicerçados em cima da redenção, mas fomos revestidos de Cristo e inseridos n’Ele. Quando o Pai nos olha, Ele vê Cristo. Nós estamos escondidos em Cristo. Deus não nos vê em nossa fraqueza, enfermidades, falhas e pecado como homens representados pela madeira, mas Ele nos vê na justiça de Cristo, que é o ouro que nos reveste. Mantenha isso em mente cada vez que vier à presença de Deus. Ele não vê a madeira, mas o ouro que a reveste.

Se a madeira vale um dólar e a prata vale 7.500 dólares, o que dizer a respeito do ouro? O seu valor é incomparável.

Havia cinco barras que uniam as tábuas, mas apenas a barra do meio passava por todas elas. Essa barra passava por dentro das tábuas. Esta era a forma como as tábuas eram preservadas juntas. Quatro barras eram exteriores, mas a do meio era interior. Isso mostra que não apenas estamos em Cristo, mas Cristo está em nós.

Hoje, você está coberto com o ouro que é Cristo. Você pode se sentir salvo e seguro no meio deste mundo. Você já não é mais vulnerável. Você está no esconderijo do Altíssimo. Você está coberto com o ouro.

O mundo não conhece a sua identidade

Estamos sempre declarando que somos justiça de Deus em Cristo, mas você já parou para pensar que o irmão do lado também é justiça de Deus em Cristo? Mesmo aquele irmão problemático ou aquele com quem não temos proximidade, todos eles são justiça de Deus em Cristo. Talvez você nem goste muito da comunhão da família da fé, mas a verdade é que somos tábuas colocadas uma ao lado da outra e precisamos ver uns aos outros revestidos de ouro.

Aquele que está dentro do Tabernáculo vê o ouro, mas o mundo, quando olha para nós, vê apenas as peles cobrindo as tábuas, eles não veem o ouro. O ouro não é para o mundo ver, mas para Deus ver. O mundo pode falar muitas coisas a seu respeito, mas isso realmente não importa, o que importa é o que Deus vê. Não precisamos impressionar o mundo, pois Deus já está impressionado conosco por causa de Cristo.

O Senhor Jesus é representado pela Arca da Aliança com o propiciatório em cima. Hoje, o véu foi removido, e o Lugar Santo e o Santo dos Santos se tornaram um só. Agora, as tábuas cobertas de ouro estão todas contemplando a glória da Arca e, enquanto contemplam o ouro nas tábuas, reflete essa glória, e assim somos transformados de glória em glória.

Cristo precisa ser o centro de tudo em nossa vida. Precisamos centralizar Cristo em nosso culto, em nossa mensagem, em nossas canções de adoração, em nosso casamento, criação de filhos, prosperidade e tudo o mais.

O mundo não percebe o seu valor

Na edificação do Tabernáculo, havia ouro, prata e pedras preciosas, mas, na Nova Jerusalém, a prata é substituída pela pérola. O livro de Apocalipse diz que as portas da cidade são feitas de pérolas. A cidade tem doze portas, e cada uma delas é uma pérola. A pérola é um glóbulo branco, brilhante e nacarado que se forma na concha da ostra quando um grão de areia penetra em seu interior, no fundo do mar. A ostra envolve esse grão de areia com uma secreção, e ele se transforma na pérola.

Isso certamente é um símbolo da transformação do crente. Sabemos que o mar simboliza a morte. O Senhor Jesus é como essa ostra que veio habitar nesse mar da morte. Nós somos o grão de areia que foi enxertado n’Ele. Uma vez n’Ele, Ele nos envolveu com a sua vida e, com o passar do tempo, fomos transformados em pérolas para a sua edificação.

Antes disso, não tínhamos valor nenhum, porque éramos apenas pó. Mas, em Cristo, Deus atribuiu valor a nós. O Espírito Santo tomou esse pó e o injetou em Cristo. E a vida de Deus começou a nos envolver e a fluir no nosso interior dia após dia até que fomos transformados numa pérola para Deus.

A pérola expressa a obra exclusiva de Deus. É Ele quem faz de cada um de nós uma pérola. É d’Ele, exclusivamente, a iniciativa para nos salvar, santificar e transformar por meio da sua própria vida.

As portas da Nova Jerusalém são grandes pérolas, para indicar que a maneira como entramos nela é pela transformação e santificação. Ali não entra o pó, mas entra o pó transformado em pérola.

Cobertos com ouro

Tanto a ilustração da madeira coberta com ouro quanto o grão de pó que virou uma pérola ilustram a verdade de que estamos ocultos em Cristo. Por que o Senhor quer que estejamos ocultos? Há outra ilustração dessa verdade no Novo Testamento. Paulo diz, em 2 Coríntios, que nós somos cartas vivas de Cristo.

Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. (2 Co 3.2-3)

Todos nós somos cartas de amor de Cristo, não escrita com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente. Somos cartas vivas.

Nós lemos a Bíblia, mas o mundo nos lê. Nós somos cartas de Cristo para este mundo. É por isso que as crianças não aprendem tanto aquilo que ouvem de nós, mas aprendem aquilo que veem em nós.

Sei que muitos pensam que ensinamos as crianças por meio de regras, regulamentos e leis, mas, ainda que essas coisas sejam necessárias para as crianças, elas não são a maneira mais eficiente de educar os nossos filhos. Pais felizes educam melhor. Nossos filhos absorvem aquilo que nos veem desfrutando. Não adianta muito dar livros aos filhos, mas, se veem que amamos ler, eles se tornarão leitores também. Se percebem o nosso prazer em servir a Deus, eles farão o mesmo. Se você está deprimido, não adianta muito falar de alegria a eles, pois não aprendem do que falamos, mas do que somos. Você é uma carta.

Esta é a razão por que é tão importante ter uma imagem correta do Senhor. É triste ver quadros que o retratam de forma depressiva e efeminada. O Senhor era alegre, pois recebeu unção de alegria mais que todos. A Palavra de Deus diz que Ele é completamente amável. Tudo a respeito do Senhor Jesus é proporcional e equilibrado. Quando Ele é firme, não é áspero. Quando somos firmes, nós ferimos as pessoas. Quando Ele é gentil, não é fraco. Quando somos gentis, somos passivos e frágeis.

Se você vir o Senhor e investir tempo com Ele, acabará se tornando como Ele: sólido, forte, confiante e estável. Não há como gastar tempo na presença do Senhor e sair deprimido. A presença do Senhor nos contagia com fé e esperança. Todos os que tocaram o Senhor foram curados. Se tocamos na sua presença, algo da sua vida e saúde é transmitido a nós. Nossa fé é fortalecida de forma espontânea.

Quando a revelação do Senhor se torna forte em sua vida, todos perceberão em você uma mudança. Você mesmo talvez nem perceba, mas os outros notarão que você se tornou mais forte, estável e sólido, cheio da realidade da presença do Senhor.

Todos nós somos transformados quando vemos o Senhor, e as pessoas serão atraídas pelo que elas leem em nós. Quando a glória resplandece, tornamo-nos cartas vivas. O mundo quer ler esperança, um futuro melhor. Eles querem ler restauração e cura. Onde eles lerão isso? Na mídia? Não, eles lerão nas cartas vivas.

As cartas nos explicam por que Deus nos oculta cobrindo-nos de ouro. Creio que a ilustração fica clara se tivermos em mente a imagem de uma carta.

O que o carteiro leva às nossas casas? Não são cartas, mas envelopes. As cartas estão dentro do envelope. O envelope representa o Senhor Jesus, pois nós hoje estamos ocultos n’Ele. O endereço do destino está escrito no envelope e representa o céu.

Por que as cartas são colocadas dentro de envelopes? Em primeiro lugar, para manter a carta limpa. Deus nos mantém em Cristo para nos preservar puros e limpos. Somos lavados pelo sangue, mas somos preservados limpos porque estamos em Cristo. Não somos nós mesmos que nos mantemos limpos, mas é o envelope que mantém a carta limpa.

A segunda razão por que cartas são colocadas em envelopes é para impedir que pessoas erradas leiam. O inimigo e opositores não podem ler e por isso somos um mistério para eles, como cartas guardadas dentro de um envelope.

A terceira razão é que o endereço do destinatário é sempre colocado no envelope. Uma carta fora do envelope nunca chegaria ao seu destino. Mas, porque estamos em Cristo, chegaremos seguros ao nosso destino na glória dos céus.

Perguntas para compartilhar:

  1. O que significa a redenção?
  2. Por que devemos ter plena confiança em Cristo?

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