Levando o evangelho de cidade em cidade

“A tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas.” (Isaías 54.3)

A promessa de Deus para nós como igreja é possuir as nações, conquistando cidades para Cristo. “Possuir nações” é uma expressão profética que significa “conquistar”. Essa conquista se dá por meio da conversão de almas. A expressão “cidades assoladas”, mencionada em Isaías, descreve a realidade do mundo sem Deus: um ambiente de destruição, miséria, morte e necessidade espiritual. Contudo, esta não é a vontade de Deus. A maneira de Deus mudar essa realidade é por meio da igreja, pois nós somos a luz do mundo.

O momento hoje é oportuno para a igreja pregar o evangelho no mundo, pois Deus tem nos dado todas as ferramentas necessárias para levar o evangelho a todas as nações de maneira eficiente. Talvez alguns perguntem: “Mas por que agora? Eu ouso lhe perguntar: “Se não for agora, quando será?” E, se realmente é o tempo oportuno, como faremos isso? Creio que, quando Deus nos dá uma missão, Ele não deixa o método por nossa conta, pelo contrário, Ele nos dá também a estratégia certa para realizá-la. Foi assim em toda a Bíblia. Vamos identificar duas estratégias bíblicas de levar o evangelho às nações de maneira ágil e eficiente.  

1. De cidade em cidade

A expressão “de cidade em cidade” é usada na Bíblia para se referir à expansão do reino de Deus tanto no Velho como no Novo Testamento. Podemos testemunhar que esta tem sido também a nossa experiência como igreja, pois a Igreja Videira começou na cidade de Goiânia e depois fomos crescendo de cidade em cidade, começando pelas capitais do Brasil até chegar às nações. Porém, é preciso compreender que não se trata de um planejamento humano, e sim de uma estratégia divina. Vamos ver como essa estratégia é descrita várias vezes na Bíblia e em momentos distintos. 

O exemplo da nação de Israel

Seja levada a arca do Deus de Israel até Gate e, depois, de cidade em cidade. (1 Sm 5.8)

A arca de Deus representa Cristo. Hoje, Cristo habita dentro de nós. Isso nos mostra que hoje a maneira bíblica de levar Cristo é pregando o evangelho de cidade em cidade, pois cada cidade tem um tesouro precioso a ser conquistado: as almas para Cristo. Assim, o alvo de cada igreja local deve ser conquistar a sua cidade para Cristo.

No caso de Israel, a promessa de Deus era a conquista da terra de Canaã, que aconteceu por intermédio da conquista de cidades. Da mesma maneira aconteceu com a distribuição da terra de Canaã para cada tribo de Israel. No livro de Josué, do capítulo 11 ao 24, encontramos o relato da distribuição da herança aos filhos de Israel da seguinte maneira:

Assim, tomou Josué toda esta terra, segundo tudo o que o SENHOR tinha dito a Moisés; e Josué a deu em herança aos filhos de Israel, conforme as suas divisões e tribos. (Js 11.23)

Em Josué 13 em diante, lemos: “…Esta é a herança dos filhos de Rúben, cidades com suas aldeias; (…) A herança dos filhos de Gade, (…) sessenta cidades; A tribo de Benjamim ao todo catorze cidades; (…) A herança dos filhos de Zebulom dezesseis cidades com suas aldeias; (…) As cidades, dos levitas, foram, ao todo, quarenta e oito cidades; (…)”

A Bíblia faz questão de relatar a herança de Israel por meio da posse de cidades, porque isso nos fala da expansão do reino de Deus.  

O ministério de Jesus

Andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus. (Lc 8)

Quando Jesus veio, não mudou a estratégia de evangelizar, mas manteve a mesma estratégia de entrar de cidade em cidade, manifestando o reino de Deus. O seu ministério foi o modelo para a igreja que estava nascendo, porque, depois disso, os seus discípulos fizeram o mesmo e abriram igrejas em muitas cidades.

A igreja primitiva

Mas Filipe passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia (At 8.40)

O modelo de igreja para nós hoje é a igreja primitiva. A melhor estratégia para alcançar uma nação é que cada igreja local tenha como alvo ganhar a sua cidade, assim podemos ganhar toda a nação. Paulo, o apóstolo que mais abriu igrejas, escreveu cartas direcionadas às igrejas locais nas cidades, como a igreja em Roma (carta aos Romanos), a igreja em Corinto (as duas cartas aos coríntios), e assim as outras cartas. Isso comprova que a igreja se expandia de cidade em cidade. Entenda que o propósito hoje ao pregar o evangelho em cada cidade é fazer discípulos, assim como era na igreja primitiva.

E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia. (At 14.21)

A recompensa do reino

Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. (Lc 19.17)

Ao contar essa parábola, Jesus usou o exemplo das cidades para simbolizar a recompensa no reino. Pode ser apenas uma simbologia, mas pode ser também literal. A verdade é que, com certeza, vamos reinar sobre cidades e nações. A partir de hoje, comece a olhar a sua cidade com olhos proféticos, pois ela faz parte da sua herança. Pare de falar coisas negativas sobre a cidade em que você mora e passe a abençoá-la, dizendo: “Esta cidade é a minha herança, por isso ela é abençoada!”

2. Evangelismo pessoal

E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Mc 16.15)

A segunda maneira bíblica de pregar o evangelho de maneira eficiente é através do evangelismo pessoal. A expressão usada no Evangelho de Marcos “a toda criatura” significa no original “individualmente”.

É claro que esta não é a única maneira de evangelizar, mas é a mais eficiente. Muitas pesquisas já foram feitas para medir a eficácia dos métodos de evangelismo, uma delas foi realizada e publicada pelo Instituto LifeWay em parceria com o Centro Billy Graham e o Centro Caskey, ligado ao Centro Teológico Batista de Nova Orleans. Essa pesquisa revela que as igrejas pequenas que apostam na evangelização pessoal são mais propensas a crescer. A nossa experiência como igreja comprova isso, pois, mesmo investindo no evangelismo coletivo, como nos encontros, cultos e outros eventos, a maioria das pessoas vêm para a igreja por meio de amigos, parentes ou pessoas próximas.

Se queremos realizar um evangelismo eficiente, não basta a estratégia de ir de cidade em cidade, é preciso investir no evangelismo pessoal. Para mostrar como fazer isso de forma prática, vamos usar como referência um texto que conta o milagre da ressurreição de um menino pelo profeta Eliseu:

Certo dia, passou Eliseu por Suném, onde se achava uma mulher rica, a qual o constrangeu a comer pão. Ela disse a seu marido: Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus. Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto, quando ele vier à nossa casa, retirar-se-á para ali. Um dia, vindo ele, retirou-se para o quarto e se deitou. Então, disse ao seu moço Geazi: Que se há de fazer por ela? Geazi respondeu: Ora, ela não tem filho, e seu marido é velho. Disse Eliseu: Chama-a. Disse-lhe o profeta: Por este tempo, daqui a um ano, abraçarás um filho. Concebeu a mulher e deu à luz um filho, no tempo determinado. Tendo crescido o menino, saiu, com seu pai, e disse: Ai! A minha cabeça! Então, o pai levou-o a sua mãe, e ele morreu. Chegando ela ao homem de Deus, disse: Pedi eu a meu senhor algum filho? Ele, pois, se levantou e a seguiu. Tendo o profeta chegado à casa, eis que o menino estava morto sobre a cama. Então, entrou, fechou a porta sobre eles e orou ao SENHOR. Subiu à cama, deitou-se sobre o menino e, pondo a sua boca sobre a boca dele, os seus olhos sobre os olhos dele e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu. Levantou-se, pois, e andou no quarto uma vez de lá para cá, e tornou a subir, e se estendeu sobre o menino; este espirrou sete vezes e abriu os olhos. Então, Chamou a sunamita e lhe disse: Toma o teu filho. (2 Rs 4.1-36 – texto resumido, grifo nosso)

Na Bíblia, a ressurreição aponta para o milagre da salvação. A Bíblia afirma que nós estávamos mortos e separados espiritualmente de Deus. Ao receber Jesus, recebemos a vida de Deus e nascemos de novo. Esta é a experiência do batismo nas águas, em que testemunhamos que morremos com Cristo e ressuscitamos com Ele para uma nova vida. Por isso, esse milagre de ressurreição aponta para uma estratégia eficiente de evangelismo pessoal.

A primeira coisa que o texto relata é que o profeta foi à cidade de Sunén, o que mostra que fazia parte do ministério de Eliseu ir de cidade em cidade. Aqui, Deus deu ao profeta uma estratégia bem específica para que o milagre da ressurreição acontecesse. Esses três aspectos do texto apontam para a maneira eficiente de evangelizar.

Boca sobre a boca – Essa expressão significa que a boca do profeta era a boca de Deus liberando vida. Nós não podemos gerar vida, mas Deus pode por meio de nós. A Bíblia usa algumas expressões para revelar verdades espirituais. No caso da boca, ela é mencionada várias vezes em relação a liberar a palavra: “[…] para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Ef 6.19).

A expressão “abrir da minha boca” significa no original “ato de falar”. Quando o profeta colocou a sua boca sobre a boca do menino, ele estava liberando a vida de ressurreição que somente Deus pode dar. Hoje, quando abrimos a boca para pregar o evangelho, estamos liberando a vida de Deus àqueles que ouvem e recebem a mensagem do evangelho. Ao dizer que o profeta colocou a sua boca sobre a boca do menino, isso indica um ato direcionado e pessoal. Sem o abrir da nossa boca, o poder da vida não pode ser liberado. É claro que Deus não se limita à ação do homem, mas Ele escolheu operar o milagre da salvação por meio da pregação do evangelho.

Precisamos crer na eficácia do evangelismo pessoal e investir nisso, treinando cada membro para fazê-lo com clareza a fim de manifestar o poder da ressurreição. A Bíblia afirma que a confissão também é pessoal. Cada pessoa precisa confessar individualmente a respeito de Jesus: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

Olhos sobre os olhos – O sentido bíblico dos olhos aponta para a revelação, ou seja, ver espiritualmente. “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).

Desvendar é o mesmo que revelar. Por isso, a pregação precisa ser acompanhada pela ação sobrenatural do Espírito Santo. Somente assim as pessoas serão tocadas e se converterão a Cristo. Ao pregar o evangelho, é preciso fazê-lo com realidade de vida, como um testemunho pessoal. Assim, a vida de Deus que está naquele que evangeliza é liberada com discernimento espiritual, e os olhos espirituais de quem ouve são abertos. “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5).

Nem sempre a salvação acontece na primeira vez que alguém ouve o evangelho, por isso é preciso perseverar em pregar mais de uma vez à mesma pessoa. O texto diz que o profeta deitou-se sobre o menino, depois se levantou e andou no quarto de lá para cá. Tornou a subir e fez a mesma coisa, colocou a sua boca sobre a boca dele, os olhos sobre os olhos dele e somente assim o menino abriu os olhos. Isso nos mostra que existe um processo para o Espírito de Deus agir nas pessoas. A palavra precisa penetrar no coração, a mente ser convencida e assim tocar o espírito para que o milagre aconteça.

Mãos sobre as mãos – A Bíblia usa as mãos para se referir à obra realizada por Deus, mas também às nossas obras.

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. (Sl 19.1)

Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus. (Lc 9.62)

A obra de Deus implica evangelizar, mas também fazer discípulos, pois Jesus nos mandou fazer discípulos de todas as nações. Essa obra é responsabilidade de toda a igreja, por isso precisamos investir em treinamento dos membros para evangelizar, consolidar e discipular.

O texto finaliza descrevendo o milagre da ressurreição, dizendo que “a carne do menino aqueceu”. Novamente, vemos aqui um processo acontecendo para gerar vida. Precisamos entender que pregar o evangelho inclui também o processo de consolidar um por um e, por fim, discipular individualmente. 

Concluindo, esses três aspectos apontam para o milagre da salvação, que acontece por meio de um processo, começando com o evangelismo, a consolidação e o discipulado. Cada uma dessas etapas precisa ter o aspecto individual para ser eficiente. Hoje, é o tempo de a igreja pregar o evangelho às nações, indo de cidade em cidade por meio da igreja local em cada cidade, mas também investindo no evangelismo pessoal, para que haja eficiência na pregação do evangelho. Assim, se cumprirá, por meio de nós, a promessa de Deus, de possuir as nações e conquistar cidades assoladas.

Perguntas para compartilhar:

– Você tem utilizado do evangelismo pessoal no seu dia a dia?

– De que maneira você tem olhado sua cidade?

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