Não perca o mover de Deus

Não preste muita atenção à aparência exterior mas veja se Cristo está por dentro. Todo mover de Deus é para centralizar Cristo”

Em todo o capítulo 7 de João, podemos ver o Senhor Jesus sendo julgado pelas pessoas. Todos os julgamentos foram falsos e nos ensinam algo sobre a questão de reconhecermos a Deus e o seu mover. Jesus era a personificação do mover de Deus, e hoje Deus continua se movendo em nosso meio.

Há quem diga que o grande problema não é ter um mover do Espírito Santo na igreja, mas sermos capazes de reconhecer tal mover quando ele acontecer. São tantos os nossos conceitos humanos e preconceitos religiosos que podemos não ser capazes de ver a mão de Deus com clareza quando ela se levantar.

Jesus não disse que não devemos julgar de forma alguma. Devemos julgar, mas precisamos usar critérios retos e verdadeiros, e não observar a mera aparência das coisas.

Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça. (Jo 7.24)

Todo o problema gira em torno da aparência do Senhor. Jesus era verdadeiramente um causador de problemas. Ele provocava divisões. Hoje, aqueles que buscam a vida também causarão divisões e problemas.

Vamos ver os cinco tipos de julgamento segundo a aparência que o Senhor sofreu, em João 7, e aprender que todo aquele que quiser seguir piedosamente ao Senhor passará por essas mesmas perseguições.

1. Julgamento da motivação segundo a aparência

Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele. (Jo 7.3-5)

O primeiro critério que as pessoas usam é avaliar as motivações. Os irmãos de Jesus supunham que Ele queria aparecer e ser famoso e por isso mandaram que Ele fosse para a Judeia, que era o centro do país.

Todo aquele que prega debaixo de um manto de revelação e possui uma esfera de autoridade ministerial sofrerá esse tipo de julgamento. Sempre dirão que estamos apenas atrás de edificar um reino pessoal, dirão que somos promotores de interesses escusos. É impressionante que os próprios irmãos do Senhor pensaram isso d’Ele.

O pensamento natural é que os verdadeiros homens de Deus são sempre pequenos e escondidos. A obra que fazem é sempre pequena e irrelevante. Se, porém, a obra que você faz vier a crescer e ganhar um grande alcance, logo dirão que não pode ser de Deus.

Tenha muito cuidado para não perder o que Deus tem para fazer em sua vida justamente por julgar mal aqueles que são usados por Deus para abençoá-lo. Pensamos que eles estão apenas atrás de promoção pessoal e fama, e então deixamos de receber a revelação de Deus por meio deles.

Outras vezes, deixamos de ser usados por Deus e, portanto, canais de seu mover por causa do receio de sermos julgados pelas pessoas como aqueles que buscam o próprio engrandecimento. Entretanto, se buscamos agradar aos homens, já não podemos ser ministros de Deus. Se vivemos em função da opinião das pessoas sobre nós e nosso ministério, já não podemos dizer que somos servos de Deus.

2. Julgamento da atitude segundo a aparência

E havia grande murmuração a seu respeito entre as multidões. Uns diziam: Ele é bom. E outros: Não, antes, engana o povo. Entretanto, ninguém falava dele abertamente, por ter medo dos judeus. (Jo 7.12-13)

A segunda situação de julgamento foi feita pela multidão. Eles discutiam se Jesus era bom ou se queria enganar as pessoas. Quando diziam que o Senhor queria enganar as pessoas, é porque pensavam que Ele estava procurando uma posição política.

Supor que Jesus estava buscando posição política, enriquecimento ou reconhecimento religioso é desconhecer completamente a missão do Senhor.

Você já observou que, sempre que Deus levanta um grupo, uma igreja ou um homem, eles são tachados de tentar enganar o povo? Em todos os séculos, os verdadeiros seguidores da vida têm sido perseguidos pelos religiosos invejosos. A religião sempre produz inveja, pois a base da religião é a performance. O religioso sempre presume que a bênção é pelo merecimento e, quando vêm a bênção sobre alguém que consideram inferior, logo se enche de inveja amargurada.

3. Julgamento do conhecimento segundo a aparência

Então, os judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe este letras, sem ter estudado? Respondeu-lhes Jesus: O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou. (Jo 7.15-16)

A terceira situação em que Jesus foi julgado foi em relação ao seu conhecimento intelectual. As pessoas religiosas, de um modo geral, pensam que apenas os cultos e letrados podem ser usados por Deus e que qualquer coisa vinda de alguém sem títulos acadêmicos é no mínimo duvidosa.

Como pode este saber letras sem ter estudado? Como Ele pode ensinar assim se não faz parte da turma dos estudiosos e escritores? Simplesmente seja honesto e avalie se o que ensinamos é algo que nós inventamos ou se procede do Pai. Julgue a árvore pelo seu fruto.

Louvamos a Deus porque entre nós há um grande derramar de revelação da Palavra de Deus. Aqueles que realmente têm fome da Palavra são supridos e saciados neste ministério. Julgue pela reta justiça, onde você vê tanta luz na Palavra fluindo? Não temos títulos, mas temos realidade.

4. Julgamento teológico segundo a aparência

Nós, todavia, sabemos donde este é; quando, porém, vier o Cristo, ninguém saberá donde ele é. (Jo 7.27)

Este talvez seja o mais letal julgamento segundo as aparências, o julgamento teológico. Quando temos conceitos religiosos preestabelecidos de como deve ser o mover de Deus e em que circunstâncias ele deve acontecer, isso acaba sendo um entrave para percebê-lo.

Esse julgamento, na verdade, tinha bases bíblicas falsas, já que Miquéias diz claramente que o Messias viria de Belém (Mq 5.2). No entanto, muitos deles esperavam um messias que surgiria sem ninguém saber de onde (v. 27). Esse conceito errado impediu que muitos reconhecessem o Messias na pessoa do Senhor Jesus.

Já observou como nós temos conceitos idealizados de como deve ser um mover de Deus? Precisamos ser cuidadosos para não perdermos algo de Deus por causa de um conceito bíblico errado ou distorcido.

Embora o Senhor tivesse nascido em Belém, cresceu em Nazaré, uma cidadezinha desprezada pelas pessoas daquela época. Ele era o descendente de Davi, contudo veio como nazareno (Mt 2.22). Cresceu como raiz de uma terra seca, não tendo aparência e nem formosura. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens (Is 53.2-3). Dessa forma, não devemos conhecê-lo segundo a carne, mas segundo o Espírito (2 Co 5.16).

5. Julgamento da posição social segundo a aparência

Então, os que dentre o povo tinham ouvido estas palavras diziam: Este é verdadeiramente o profeta; outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam: Porventura, o Cristo virá da Galileia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e da aldeia de Belém, donde era Davi? Assim, houve uma dissensão entre o povo por causa dele. (Jo 7.40-43)

Na quinta situação, Jesus foi julgado por ser galileu, ainda que, de fato, Ele era de Belém da Judeia; mas, por ter sido criado na Galileia, trazia um sotaque que o denunciava. Aparentemente, Ele era galileu; mas, na verdade, era da Judeia.

Isso não nos faz lembrar das palavras de Natanael? “Pode algo bom vir da Galileia?” Isso se chama preconceito social (Jo 1.46). Porque o Senhor cresceu em Nazaré, as pessoas não o consideravam como alguém nascido em Belém.

Não preste atenção à aparência exterior. Precisamos ver o que vai por dentro. Há Cristo dentro? Há fluir de vida na pregação? Há fruto, crescimento e multiplicação? O religioso amargurado vai sempre tentar questionar a aparência, mas não há nada que possam fazer a respeito dos frutos.

Existe um princípio espiritual a respeito das coisas do Senhor, a aparência natural nunca parecerá boa ou apropriada, todavia o conteúdo interior será sempre maravilhoso.

Jesus era mesmo um causador de problemas, e nós também somos. Ele provocava divisões entre o povo. Hoje, aqueles que estão no mover de Deus também provocarão problemas e controvérsias.

Não preste muita atenção à aparência exterior, mas veja se Cristo está por dentro. Todo mover de Deus é para centralizar Cristo.

Perguntas para compartilhar:

– Qual tem sido a sua posição diante do mover de Deus?

– Qual tem sido a sua visão diante dos julgamentos mencionados na Palavra?

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