O Amor a Graça e a Justiça de Deus

O Amor a Graça e a Justiça de Deus

O amor de deus


A maior revelação da Bíblia é que Deus é amor. Se pudéssemos dizer que Deus é composto
por uma substância, então a substância de Deus seria o amor. O amor de Deus nos mostra a
Sua provisão, a salvação que se cumpriu. Por um lado o homem pecou, e por outro, Deus é
amor. Esses dois fatos são imutáveis e enfatizados na Bíblia. Se derrubarmos qualquer uma das
extremidades, a salvação se perderá. Deus tem o amor e o homem tem o pecado. Por haver esses
dois fatos, existe a salvação e existe o Evangelho.
Isso não é tudo. O próprio Deus é amor, como lemos em 1 João 4.16: “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor perma-
nece em Deus, e Deus, nele”. Mas quando esse amor é aplicado a nós, descobrimos que “…Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (Jo 3.16). “Deus é amor” fala
da Sua natureza, e “Deus amou o mundo de tal maneira” fala da Sua ação. Mas o amor de Deus
para conosco tem uma expressão. Romanos 5:12 diz: “Mas Deus prova o seu próprio amor para
conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.

O amor de Deus tem uma expressão. Uma vez que Deus ama o mundo, Ele tem de es-
tar preocupado com a necessidade do homem. Portanto, Ele deve fazer algo pelo homem.

Somos pecadores, não temos outra escolha senão ir para o inferno, e nenhum outro lugar para
estarmos senão no lugar de perdição. Mas Deus nos amou, e Ele não estará satisfeito até que
nos tenha salvado.
Já que Deus nos ama, Ele deve prover uma solução ao problema do pecado; Ele deve prover
a salvação de que nós pecadores precisamos. Por essa razão, a Bíblia mostrou-nos este grandioso
fato: o amor de Deus é manifesto na morte de Cristo. Agora podemos ver Seu amor de uma

forma substancial. Seu amor já não é meramente um sentimento. Ele tornou-se um ato total-
mente manifesto.

A graça de Deus

O amor de Deus não para aqui. Uma vez que Deus é amor, a questão da graça surge. É ver-
dade que o amor é precioso, mas o amor deve ter sua expressão. Quando o amor é expressado, torna-se graça. Graça é amor expressado. O amor é algo em Deus, mas quando esse amor vem
até nós, torna-se graça. Se Deus for somente amor, Ele é muito abstrato. Mas agradecemos ao
Senhor que embora o amor seja algo abstrato, com Deus ele é imediatamente transformado em
algo substancial. O amor interior é abstrato, mas a graça exterior deu-lhe substância.
A definição de graça não é apenas o ato do amor. Devemos acrescentar algo mais a isso.
Graça é o ato do amor para com o necessitado. Deus ama o Seu Filho unigênito, entretanto
não existe o elemento de graça nesse amor. Ninguém pode dizer que Deus trata com Seu Filho
usando de graça. Deus também ama os anjos, mas isso também pouco pode ser considerado
como graça. Por que não é graça o amor do Pai para com o Filho e o amor de Deus para com os
anjos? A razão é que não há necessidade ou privação envolvidas, há somente o amor; não existe
a ideia de graça. Somente há privação e necessidade quando não existe maneira de alguém
resolver seus problemas por si mesmo, então o amor é percebido como graça. Visto que somos
pecadores, somos aqueles com problemas e não temos como solucioná-los. Mas Deus é amor e
Seu amor é manifesto a nós como graça.
Assim, quando o amor flui no mesmo nível, ele é simplesmente amor. Mas quando flui para
baixo, ele é graça.
A ênfase da Bíblia está no “amor de Deus” e na “graça de Jesus Cristo”, porque foi o Senhor
Jesus quem cumpriu a salvação. Foi Ele quem tornou real o amor de Deus. “A lei foi dada por
intermédio de Moisés, mas a graça veio por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17).

 A justiça de Deus


Apesar de Deus nos amar e mostrar-se misericordioso para conosco e apesar de pretender
plenamente nos dar graça, há algo difícil para Deus fazer. Deus não pode conceder-nos graça
instantaneamente; Ele não pode dar-nos vida eterna diretamente. Há um dilema que Deus

deve resolver antes de poder conceder-nos graça. O problema, o qual a Bíblia menciona frequentemente, é a própria justiça de Deus.

A justiça de Deus é o modo de Deus agir. Amor é a natureza de Deus, santidade é a disposição de Deus e glória é o próprio ser de Deus. Justiça, no entanto, é o proceder de Deus, Sua maneira e Seu método. Uma vez que Deus é justo, Ele não pode amar o homem meramente
conforme o Seu próprio amor. Ele não pode conceder graça ao homem meramente conforme

Ele quer. Ele não pode salvar o homem meramente conforme o desejo do Seu coração. É ver-
dade que Deus salva o homem porque o ama, mas Ele deve fazê-lo de um modo que esteja de acordo com Sua própria justiça, seu próprio padrão moral.
Sabemos que para Deus é fácil salvar o homem, contudo não é fácil salvá-lo de maneira
justa. A salvação de Deus não é mercadoria contrabandeada. Deus quer que a nossa salvação
venha pela “porta da frente”. Nossa salvação tem de ser correta e adequada.
A vinda do Senhor Jesus Cristo à Terra foi a exigência de Deus em justiça; não foi a exigência
de Deus em graça. Essa é uma palavra muito séria. Se houvesse amor sem justiça, o Senhor

Jesus não teria necessidade de vir à terra e a cruz teria sido desnecessária. Por causa do problema da justiça, o Senhor Jesus teve de vir. Sem justiça, Deus poderia salvar-nos do modo que quisesse. Ele poderia ignorar nossos pecados ou perdoá-los levianamente.

A cruz manifesta o amor, a graça e a justiça de deus Quando o pecado entrou no mundo, o governo de Deus foi danificado. Sua ordem determinada no universo foi quebrada; Sua glória foi esmagada; Sua santidade foi profanada; Sua autoridade foi rejeitada e Sua verdade foi distorcida. Quando o pecado entrou no mundo,
Satanás riu e os anjos testificaram que o homem tinha falhado e caído.
Se Deus tivesse de julgar o pecado sem misericórdia, Ele agiria sem amor. Contudo se Ele
ignorasse os pecados do homem sem julgá-los, Ele agiria sem justiça. Porque Deus ama o
mundo e ao mesmo tempo é justo, Ele teve de enviar o Senhor Jesus até nós. Por ser justo, Ele
teve de julgar o pecado. Porque Ele é amor, teve de suportar o pecado do homem em seu lugar.
Devo enfatizar estas duas declarações: Deus deve julgar porque é justo. E Deus sofre pelo
julgamento e punição devidos ao homem porque Ele é amor. Sem julgamento não vemos
justiça; com julgamento não vemos amor. Contudo, o que Ele fez foi suportar o julgamento
em nosso lugar. Dessa forma, Deus manifesta tanto Seu amor quanto Sua graça e também Sua
justiça em Jesus Cristo.
Hoje, o fato de recebermos a graça está unicamente baseado na justiça de Deus. Nossos
pecados são perdoados após terem sido tratados. Quando vemos a cruz, é correto dizermos que
ela é a justiça de Deus. É também certo dizer que ela é a graça de Deus. A cruz significa a justiça
e a graça de Deus revelando o Seu amor. Hoje, quando vemos a cruz, nosso coração descansa,
pois sabemos que a graça que recebemos foi mediante a maneira justa de Deus. Sabemos que
a nossa salvação é clara, completa, adequada e justa. A cruz resolveu por completo o problema
do pecado.