O ano milenar

Precisamos interpretar de maneira profética certos eventos da Palavra de Deus

A Palavra de Deus é perfeita. Não existe algo como um nome ou um número insignificante. Tudo está lá por um propósito. Se cremos que as Escrituras são inspiradas por Deus, então precisamos crer que tudo nela é perfeito e está lá por um propósito. Gostaria de mostrar como alguns eventos bíblicos podem trazer um sentido profético que nos passa despercebido. Todos nós certamente conhecemos a interpretação do dia milenar na Bíblia. Segundo essa interpretação, um dia é como mil anos. Pedro disse que um dia para Deus é como mil anos, e mil anos, como um dia. Ele fez referência enquanto falava da volta do Senhor, que parece demorada.

Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânime para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. (2 Pe 3.8)

Se essa interpretação está correta, então precisamos interpretar de maneira profética certos eventos da Palavra de Deus. Em João 2, temos o primeiro sinal efetuado pelo Senhor.

A festa em Caná

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. (Jo 2.1)

Observe que o primeiro sinal foi no terceiro dia. Num primeiro momento, é correto relacionarmos o terceiro dia à ressurreição, mas precisamos estar atentos ao fato de que a sua volta deve ser também no terceiro dia. Já estamos entrando no terceiro milênio desde a ascensão do Senhor. Jesus disse, em Mateus 24, que deveríamos atentar na figueira. Em toda a Bíblia, a figueira sempre representa Israel. O Senhor disse que, “quando os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão” (Mt 24.32).

Oséias 6.2-3 diz:

Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.

O que é “o terceiro dia” nesse versículo? Na Bíblia, há um princípio de que, para Deus, um dia é como mil anos (2 Pe 3.8). De acordo com esse princípio, os dois dias aqui podem significar os primeiros dois períodos de mil anos cada, contando de 70 d.C., quando o general romano Tito destruiu Jerusalém e o templo, e milhares de judeus foram mortos cruelmente, e os demais foram dispersos entre as nações. Desde aquele tempo, os judeus estiveram sem rei, sem príncipe, sem sacrifício e sem o templo, cumprindo a profecia de Oséias 3.4-5.

Por dois mil anos, Israel deixou de existir como nação, mas, em 1948, eles foram novamente estabelecidos em sua terra. Esta é a figueira com as suas folhas brotando. Também, em Lucas 21, o Senhor nos deu outro sinal a respeito de Israel. Ele disse que havia um tempo determinado para Jerusalém ser pisada pelos gentios.

Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles. (Lc 21.20-24)

A profecia é sobre a destruição do templo, o que de fato aconteceu no ano 70 da nossa era. O Senhor diz que, depois da destruição do templo, os judeus seriam espalhados por todas as nações. Esta foi a Diáspora. Depois, Ele diz que Jerusalém seria pisada pelos gentios até que o tempo deles se cumprisse. Desde 1967, na Guerra dos Seis Dias, Jerusalém foi reconquistada pelos judeus e feita novamente capital de Israel. Podemos dizer que o tempo dos gentios se cumpriu. A profecia ainda não cumpriu completamente porque o lugar do templo ainda é ocupado por gentios, mas brevemente Israel reconstruirá o templo, então o tempo dos gentios terá acabado. Estes são sinais inegáveis da volta do Senhor, os quais estão se cumprindo diante dos nossos olhos. Nós estamos entrando no terceiro dia, e a festa do casamento se aproxima.

O arrebatamento dos crentes vencedores pode acontecer a qualquer momento. Sabemos que, depois do arrebatamento, em algum momento, o anticristo se levantará. Ele fará uma aliança com Israel por sete anos, mas, na metade desse tempo, ele quebrará o acordo e profanará o templo, que será reconstruído em Jerusalém. Quando ele profanar o templo com o abominável da desolação, mencionado por Jesus em Mateus 24, então começará a grande tribulação. No fim da grande tribulação, o Senhor voltará visivelmente nas nuvens para buscar os demais crentes e salvar Israel da fúria do anticristo. Mas tudo isso acontecerá no terceiro dia profético.

Tomando a vida de Davi profeticamente, estamos vivendo hoje o momento antes de Davi ascender ao trono. Davi estava peregrinando no deserto, vivendo em cavernas e poços, mas, enquanto isso, muitos vieram e se uniram a ele, e o seu exército cresceu e se tornou poderoso. Hoje, o rei Jesus, o herdeiro do trono de Israel, tem sido rejeitado pelos seus e está fora da visão do mundo. Aqueles que foram a Davi depois foram feitos capitães e comandantes do seu exército. O Senhor Jesus disse aos seus discípulos que, por eles estarem participando das suas aflições, também se sentariam em tronos para reinar (Lc 22.28-30).

O nosso Rei brevemente se sentará no seu trono e nós também nos sentaremos com Ele. Sei que muitos rejeitam toda a interpretação profética da Bíblia. Mas a Palavra de Deus é perfeita e ela possui muitas camadas. Ela pode ser tomada de forma pessoal numa aplicação prática, pode ser interpretada historicamente e também de maneira profética.

O bom samaritano

Em Lucas 10.25-37, o Senhor contou a Parábola doBom Samaritano. Sabemos que o Senhor tinha a intenção de mostrar a hipocrisia dos fariseus, mas podemos tomar a palavra num sentido alegórico e mostrar como cada personagem se relaciona conosco profeticamente.

Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram- se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo- -o, também passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. (Lc 10.30-35)

A estrada para Jericó tinha um percurso de aproximadamente trinta quilômetros, era uma descida de aproximadamente mil metros. Jerusalém é a cidade da bênção, mas Jericó é um lugar de maldição.

Aquele viajante é um símbolo do homem sem Deus

Como ele, os homens hoje são roubados e espancados pelo diabo e estão abandonados semimortos à beira da estrada. O homem estava viajando quando foi espancado e roubado de tudo o que tinha. Ele não podia resistir aos ladrões. Sua própria força e inteligência não podem guardá-lo das súbitas investidas de satanás. Aquele homem simboliza os feridos e oprimidos do diabo que se encontram caídos ao longo da estrada da existência humana. Ele não tinha como resolver o seu problema, ou alguém lhe estendia a mão ou ele ficaria ali até morrer. Jesus disse que o homem foi deixado meio morto. Não tinha nenhum poder. Só podia esperar pela compaixão de alguém ou aguardar a morte.

O sacerdote simboliza a lei

A lei é impotente para resolver o problema do homem. O sacerdote estava indo de Jerusalém para Jericó. Provavelmente, não era possível saber se o homem estava vivo ou morto sem tocá-lo. Entretanto, se o tocasse e ele estivesse morto, o sacerdote ficaria impuro cerimonialmente. Eis um motivo da impotência da lei para nos salvar, ela pode mostrar a morte, mas não pode ministrar vida.

O sacerdote também representa a perfeita indiferença. O homem estava caído do lado da estrada, mas ele resolveu caminhar do outro lado. Precisamos ter muito cuidado com o outro lado do caminho, porque o outro lado é o lado da indiferença. Aqui vemos a ironia de Jesus, pois havia muitos sacerdotes em Jericó naquele tempo, e eles precisavam viajar para Jerusalém a fim de cumprir os seus turnos e executar o seu ministério. Ele deve ter se sentido em paz porque não estava se omitindo de ajudar alguém em necessidade, ele apenas não podia deixar isso atrapalhar o seu ministério sacerdotal. Por causa disso, passou para o outro lado.

O levita simboliza a religiosidade

Ele era o responsável pelas coisas do templo. Era um bom religioso que lidava com coisas, e não com gente. A religião é impotente para ajudar o homem caído do lado da estrada. O levita também pode representar aquele tipo de pessoa cheia de curiosidade interessada, mas que nunca se envolve para resolver o problema. Você certamente já viu quantas pessoas se juntam ao derredor de alguém acidentado na rua. Por que elas se juntam? O primeiro motivo é a curiosidade, mas a razão principal é para ver se é alguém conhecido. Como não é conhecido, elas se sentem em paz para não se envolverem e ir embora.

O levita veio e olhou para ele. Era daquele tipo de homem que é curioso, mas não compassivo; quer saber tudo o que aconteceu, mas não faz nada; gosta de ver sangue, mas não quer ajudar. Esse homem veio para o lado da estrada onde estava o ferido, mas, em seguida, passou para outro lado novamente. Tenha muito cuidado com o outro lado. Aqueles que viajam no outro lado da estrada tiraram a cruz do evangelho, não cumprem os sofrimentos de Cristo e ignoram o sacrifício do discipulado.

O samaritano aponta para o próprio Cristo

No samaritano, vemos a expressão de Cristo. O samaritano chegou aonde o homem estava e teve compaixão dele. Na verdade, ele não quis saber se o homem era judeu ou samaritano. Os judeus não tinham negócios com samaritanos. Mas esse samaritano teve compaixão daquele que vivia em inimizade com ele, que o odiava. Como ele, Cristo veio para onde o homem estava. Ele veio até nós. Nós éramos como aquele homem, havíamos sido despojados pelo diabo e estávamos feridos e mortos, mas Ele veio ao nosso encontro. Nunca poderíamos ir até Ele, mas Ele veio até nós.

Como o samaritano, Cristo teve compaixão do homem

O texto diz que o samaritano se compadeceu do homem. Cristo nos amou e se entregou por nós. A sua compaixão, porém, não era por sermos amáveis ou gente boa. Ele se compadeceu por causa da sua graça. Aquele samaritano ajudou um inimigo. Os judeus odiavam os samaritanos. Hoje, o homem odeia Cristo, as nações odeiam o Filho de Deus, mas mesmo assim o Senhor veio nos salvar. Quando éramos inimigos, Ele resolveu morrer por nós.

O samaritano atou as feridas, deitando nelas azeite e vinho

O vinho é antisséptico por causa do álcool e aponta para a purificação que o Senhor fez em nós pelo seu sangue. Esta é uma obra exclusiva do Senhor Jesus, aplicar o sangue simbolizado pelo vinho. O óleo aponta para o Espírito Santo. Cristo derrama o seu Espírito sobre nós para nos curar e nos dar uma nova vida. Ele nos dá do o seu Espírito para nascermos de novo e para sermos cheios d’Ele.

Cristo nos levou para uma estalagem

Aquele que é achado pelo Senhor acha abrigo, novas amizades, nova casa, nova vida. Podemos dizer com certeza que a estalagem é um tipo da igreja. Um lugar de abrigo para o oprimido. Existem muitos caídos à beira da estrada que o Samaritano quer trazer para a hospedaria. Há algumas coisas que Ele mesmo faz, mas há outras que Ele nos entrega para fazermos na hospedaria.

O Senhor deu ao hospedeiro dois denários para cuidar do homem

Aqui, temos o fim profético da parábola. O samaritano deixou o suficiente para cuidar do homem por dois dias. Um denário era o salário de um dia de um trabalhador e também era o custo de um dia de comida e abrigo (Mt 20.2). Apesar de não dizer claramente, ele planejava voltar no terceiro dia. O seu suprimento foi de dois denários, o suficiente para dois dias, porque, no terceiro dia, ele tomaria conta do ferido pessoalmente. Nós estamos hoje no terceiro dia, por isso temos o coração cheio da sua promessa.

O sinal de Jonas

Profeticamente, podemos tomar Jonas como um símbolode Israel.

Deus disse a Jonas que ele deveria pregar aos ninivitas, assim como queria que Israel testemunhasse às nações

Jonas desobedeceu a Deus e desceu para Jope. Sempre que desobedecemos, nós descemos espiritualmente.

Israel foi disperso entre as nações

Ali, Jonas tomou o navio para Társis e houve uma tempestade no mar. O mar sempre representa as nações nas Escrituras (Ap 13.1). No meio da tempestade, cada um clamava ao seu deus, enquanto Jonas dormia. Eles exortaram Jonas para que clamasse também. Jonas disse que ele era a causa daquela tempestade e que deveria ser lançado no mar.

Por causa da desobediência de Israel, os gentios vieram a crer

Os homens tentaram salvar Jonas, mas, por fim, clamaram a Deus. Por causa de Jonas, eles clamaram ao Deus verdadeiro. Jonas representa Israel e, por causa da desobediência de Israel, os gentios vieram a receber a fé. Depois que a tempestade cessou, todos os que estavam no navio creram no Senhor (Jn 1.16). O ato de Jonas ser lançado no mar aponta para o povo de Israel sendo lançado para as nações do mundo. Lembre-se de que o mar simboliza as nações.

Jonas ficou três dias no ventre do peixe e, no terceiro dia, foi lançado na terra

Por dois mil anos, Israel esteve disperso entre as nações, mas, no terceiro dia, eles voltaram para a sua terra. O Senhor ressuscitou no terceiro dia bem cedo, creio que Ele vai voltar no terceiro dia milenar bem cedo. Jesus disse que o sinal de Jonas é a ressurreição. Creio que também, no terceiro dia, os mortos em Cristo ressuscitarão. Jesus ressuscitou no terceiro dia, mas os salvos vão ressuscitar no terceiro milênio.

O sinal dos samaritanos

Em João 4, lemos que Jesus deixou a Judeia em direção à Galileia, mas, no meio do caminho, Ele precisava passar por Samaria.

Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João (se bem que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos), deixou a Judéia, retirando-se outra vez para a Galiléia. E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria. (Jo 4.1-4)

Os judeus nunca passavam por Samaria, mas João diz que Jesus tinha de passar por Samaria. Sabemos que Ele tinha um encontro com uma mulher pecadora à beira da fonte de Jacó, o suplantador. No capítulo 3, Jesus se encontrou com Nicodemos, mas, em nenhum instante, Ele se apresentou a Nicodemos como o Messias. No entanto, para a mulher samaritana, Ele disse claramente: “Eu o sou, eu que falo contigo” (Jo 4.26). Quando a mulher ouviu isso, ela foi e chamou todos os daquela cidade, e eles creram no Senhor como o verdadeiro salvador do mundo. Mas o aspecto profético está em João 4.40 e 43. O Senhor permaneceu com eles por dois dias.

Vindo, pois, os samaritanos ter com Jesus, pediam- lhe que permanecesse com eles; e ficou ali dois dias. Passados dois dias, partiu dali para a Galiléia. (Jo 4.40,43)

Preste atenção na sequência: o Senhor é rejeitado pelos judeus da Judeia, Ele sai e vai aos samaritanos que queriam ser judeus, mas que não eram de fato e por isso representam os gentios. O Senhor fica com eles dois dias e depois volta para os judeus da Galileia no terceiro dia. O Senhor Jesus foi rejeitado pelos judeus e, por dois mil anos, tem estado entre os gentios, mas, no terceiro dia milenar, Ele voltará para Israel novamente.

PERGUNTAS PARA COMPARTILHAR:

1 – O que é o ano milenar e por que os cristãos devem compreender esse evento?

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