O Milênio

“Coisas extraordinárias acontecerão. No milênio, não haverá enfermos e nem Maldição, como pobreza, fome ou guerra”

O reino milenar foi extensamente profetizado na Palavra de Deus. O salmista anuncia profeticamente o reinado do Messias: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte” (Sl 2.6). “Concede ao Rei, ó Deus, os teus juízos […]” (Sl 72.1). O Senhor Jesus receberá as nações da terra por herança e as regerá com cetro de ferro.

O profeta Isaías profetiza dizendo que, nos últimos dias, acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes e para ele afluirão todos os povos (Is 2.2). Naqueles dias, as nações subirão ao monte do Senhor, o monte Sião, lá em Jerusalém, para aprender a lei e o caminho do Senhor. Durante o milênio, as nações viverão em paz, e as suas armas de guerra serão transformadas em arados. A terra produzirá frutos em abundância e não haverá fome. Guerra será coisa de museu.

Todas as nações subirão a Jerusalém para adorar ao Senhor.

Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos. (Zc 14.16)

Todavia, as nações ainda não serão regeneradas, porque ainda haverá desobediência e pecado, mas o Senhor estará reinando com cetro de ferro.

Se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva […] Virá a praga com que o Senhor ferirá as nações que não subirem a celebrar a Festa dos Tabernáculos. (Zc 14.16-21)

No milênio, o homem será extremamente longevo. A Escritura declara que não haverá criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus, porque morrer aos cem anos será morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado (Is 65.20).

O reino de Jesus será um reinado de justiça e paz. A terra será liberta da maldição que a atingiu quando o homem pecou. Sabemos que, depois da queda, a terra passou a produzir cardos e abrolhos, que simbolizam pragas como vírus e bacterias, mas no milênio essas coisas deixarão de exitir.

A própria criação será redimida do cativeiro da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8. 21). Naqueles dias, os animais carnívoros perderão a sua ferocidade (Is 11.6-9; 65.25).

A Palavra de Deus declara que os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; águas brotarão no deserto, e ribeiros, no ermo. A areia esbraseada se transformará em lagos, e a terra sedenta, em mananciais de águas (Is 35.6-7). Além dos animais serem restaurados, a própria terra será restaurada. Não haverá desertos, nem lugares ermos que não possam ser habitados. Rios brotarão do deserto, por isso não haverá lugares na terra onde não haja vida.

A Palavra de Deus declara enfaticamente que essa nova ordem mundial, de justiça, paz e prosperidade, tão ansiosamente aguardada pelas nações, somente será estabelecida quando o Senhor Jesus Cristo estiver reinando na terra (Is 11.3-5).

Naqueles dias, se cumprirá a profecia de que toda a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (Hc 2.14).

Quando o Senhor Jesus estiver reinando em Jerusalém, os judeus terão uma posição especial no reino. Eles serão os sacerdotes que ensinarão as nações.

Assim diz o Senhor dos exércitos: Ainda sucederá que virão povos e habitantes de muitas cidades; e os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar o favor do Senhor, e buscar o Senhor dos Exércitos; eu também irei. […] Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu, e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco. (Zc 8.20,21,23)

Que coisa impressionante! Não haverá muitos judeus no milênio. Se forem salvos apenas os remanescentes, não serão mais que 144 mil. Então, as pessoas das nações, quando encontrarem um judeu, vão agarrá-lo e pedir que lhes ensine a palavra de Deus. Os judeus serão sacerdotes de Deus durante o milênio, enquanto os vencedores da igreja reinarão com Cristo, como correis.

O milênio será realmente maravilhoso. Coisas extraordinárias acontecerão. No milênio, não haverá enfermos e nem maldição, como pobreza, fome ou guerra. Até a própria natureza será restaurada e os desertos se transformarão em palmares. Os animais selvagens serão mudados. Será praticamente outro mundo. Mas ainda será a velha terra. Porque os novos céus e nova terra somente virão no fim do milênio (leia ainda: Sl 72.1-17; Is 12.1-5; 16.5; 32.1-2; 40.9-11).

O aprisionamento de satanás

Então vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o, e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo. (Ap 20.1-3)

Depois da Guerra do Armagedom, o Senhor estabelecerá o seu trono em Jerusalém e ajuntará as nações para julgá-las, como está em Mateus 25.31-46. Aqueles que forem condenados serão lançados no inferno, mas aqueles que forem considerados justos participarão do reino do Príncipe da Paz.

Durante o milênio, quando o Senhor Jesus estabelecer o seu reino sobre a terra, satanás estará na prisão, num lugar conhecido como abismo, de onde sairá por pouco tempo para sublevar as nações contra o Senhor.

No milênio, as nações serão restauradas e abençoadas, mas não serão regeneradas. Os homens continuarão pecando. Muitos deles se sujeitarão ao Senhor, não por vontade própria, mas porque o Senhor estará reinando com cetro de ferro. No fim do milênio, satanás será solto, porque as nações devem ser testadas. Sendo o Senhor nobre e bondoso, Ele não deseja governar sobre nós com cetro de ferro, mas a sua vontade é que espontaneamente nos submetamos ao seu senhorio. Durante os mil anos, é necessário que o Senhor governe com cetro de ferro, mesmo contrariando a vontade dos homens, porque Ele deseja mostrar o que é um reino de paz e justiça. O milênio será um tempo em que o homem poderá conhecer o coração manso e humilde do nosso Senhor. Nesses milênios passados, o homem tem conhecido o que é o governo de satanás, mas agora ele deve conhecer o governo do Príncipe da Paz.

Todavia, assim como foi no Éden, o homem precisa ter opção. Duas árvores foram colocadas no jardim para que o homem pudesse escolher, e o mesmo acontecerá no fim do milênio. O Senhor permitirá que satanás saia e então deixará que as nações escolham. Observe que essas nações já terão experimentado mil anos de paz, abundância, justiça e prosperidade, mas a Bíblia diz que ainda assim elas escolherão satanás.

Este será o ápice da rebelião, quando a humanidade terá oportunidade de apontar as suas armas contra o próprio Deus e dizer: “Não queremos ser governados por ti”. Nesse dia, então, virá o fim. Os exércitos das nações serão destruídos e haverá novos céus e nova terra.

Os três povos do milênio

Durante o milênio, existirão três classes de pessoas na terra: os judeus, a igreja e as nações, que são chamadas de ovelhas, em Mateus 25.31-46. Esses três povos referem-se também a três níveis de bênçãos no milênio.

Os judeus serão restaurados. Segundo a Bíblia, eles assumirão a função de sacerdotes para ensinar os mandamentos e o caminho do Senhor às nações (Zc 8.23; 12.10-14; 13.9; Is 2.2-3; 61.6).

Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco. (Zc 8.23)

O segundo grupo é a igreja. Ela será constituída dos crentes vencedores e os demais salvos de um modo geral. O vencedor reinará com Cristo, mas o crente que não for qualificado não reinará. Todos os crentes terão um corpo glorificado, mas nem todos terão uma posição de honra no milênio. Os vencedores sentar-se-ão em tronos e reinarão com o Senhor, enquanto os demais crentes também estarão servindo ao Senhor.

O terceiro grupo são as nações da terra. Certamente, muitas nações deixarão de existir, mas, de uma maneira geral, as nações conhecidas atualmente continuarão existindo durante o milênio. É sobre essas nações que reinaremos. É para elas que os judeus ensinarão a lei do Senhor. Essas nações são as ovelhas de Mateus 25.31-46.

Os tronos para julgamento

Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. (20.4)

A autoridade para julgar as nações está sobre os crentes vencedores, ou seja, aqueles que atingiram a maturidade espiritual. Os imaturos não poderão julgar ninguém, pois lhes falta o pleno conhecimento do Filho de Deus. E esse conhecimento só é adquirido por aqueles que mantêm um relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor e com a sua palavra. Para julgar, é preciso antes conhecer os caminhos e a lei de Deus, os seus princípios e a maneira como Ele age. Se alguém não foi tratado por Deus, nem o conheceu pessoalmente na sua vida prática, como poderá reinar com o Senhor? Pense mais ainda, se alguém nunca nem mesmo leu toda a Bíblia, com base em que poderá julgar? O Senhor não pode estabelecer como juiz quem nem mesmo conhece a constituição do reino. Hoje, você está sendo preparado para ser um juiz com autoridade para julgar naqueles dias.

A última rebelião da humanidade

Sabemos que, durante o milênio, a humanidade será restaurada, mas não regenerada, e assim ainda haverá a natureza pecaminosa no homem. Não devemos pensar que o milênio será o céu. Embora seja o tempo do reinado do Príncipe da Paz, ainda haverá imperfeições. As imperfeições serão abolidas quando chegarem o novo e a nova terra. No fim do milênio, satanás será solto e a humanidade o seguirá na última rebelião contra Deus. É incrível pensar que, depois de ter o próprio Senhor como rei, a humanidade ainda se rebelará, mas é exatamente isso o que acontecerá. Cercarão Jerusalém e marcharão sobre a terra, mas o fogo de Deus cairá sobre eles e os consumirá (Ap 20.7-10).

Onde estão os salvos que morrem hoje?

Segundo a história que o Senhor Jesus contou em Lucas 16, os mortos estavam no Hades. O Hades é dividido em duas partes: o paraíso e o inferno. O paraíso, a parte agradável do Hades, é também chamada de Seio de Abraão. As duas partes do Hades são separadas, sendo uma parte para o ímpio e outra para os santos.

Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. (Lc 16.22-26)

Concluímos, assim, que aqueles que morrem em Cristo estão num lugar chamado Seio de Abraão ou paraíso; os que morrem sem Cristo, no Hades ou inferno. Nos dias em que o Senhor esteve na terra, esses dois lugares eram relativamente próximos, pois conclui-se pela narrativa que os que estão de um lado podem ver os outros do outro lado. Apenas um abismo separava o paraíso do inferno.

Os santos que partiram ainda não foram glorificados, mas já desfrutam da presença de Deus num lugar chamado Seio de Abraão, ou paraíso. Mas ali não é o céu ainda, como também o inferno não é o lago de fogo. É apenas um lugar provisório de tormento. O tormento final será no lago de fogo, onde o próprio inferno será lançado depois do julgamento do trono branco (Ap 20.14).

O inferno muito provavelmente fica no centro da terra, pois Jesus disse: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mt 12.40).

Jesus morreu e foi para o paraíso, como diz Lucas: “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). Mas, se lemos Atos 2.27, descobrimos que Ele foi também ao inferno, ou Hades. Assim, tanto o paraíso como o inferno estavam numa região que podemos chamar genericamente de Hades.

Todavia, depois da morte e ressurreição do Senhor, aconteceu uma mudança. Em 2 Coríntios 12.2-4, Paulo diz que foi arrebatado ao paraíso, que ele agora chama de terceiro céu.

Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. (2 Co 12.2-4)

A partir disso, podemos concluir que o Senhor Jesus, quando subiu aos céus, levou consigo o paraíso. Sabemos que os santos do Velho Testamento também ressuscitaram quando Ele ressuscitou. Hoje, nós dizemos que o paraíso está no terceiro céu.

Quando morremos, não vamos para o céu ainda, mas primeiramente para o paraíso. Somente iremos para o céu depois da ressurreição.

O paraíso ainda não é o céu, mas já é o antegozo da glória celestial. O que Paulo viu e ouviu ali são coisas tão maravilhosas que nem lhe era lícito referir.

Evidentemente, estaremos com Cristo depois da morte, como disse Paulo: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). Mas não podemos negar que, mesmo hoje, estamos com Cristo. Naturalmente, sem esse corpo, teremos maior comunhão com Cristo. Mas somente estaremos no céu depois da ressurreição, quando receberemos o corpo glorificado. O paraíso ainda não é o céu.

Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. (1 Ts 4.16-17)

Observe que somente estaremos juntos com o Senhor para sempre depois da ressurreição. Antes disso, estaremos com Ele, mas no paraíso.

PERGUNTAS PARA COMPARTILHAR:

1 – Como está o seu coração acerca da volta de Cristo?

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