O Paradigma do Fazer e do Gerar

O Paradigma do Fazer e do Gerar

Nós percebemos as necessidades e queremos mudar a história das pessoas, contudo apenas a conversão delas mudará, de fato, sua vida. Não se transforma a sociedade através de política, isso só é possível mudando a natureza dos homens, transformando-os em filhos de Deus. O que a maioria das missões ignora é que o centro do coração de Deus é gerar filhos, filhos que constituem a igreja.

A IGREJA INVISÍVEL

Nós fomos chamados para edificar a igreja. O que adiantaria fazer tantas obras e ignorar o coração de Deus? Há tantas missões politicamente corretas e espirituais, mas que não pregam o evangelho, pois argumentam que pregar pode ser desrespeito ao indivíduo. O que devemos querer mais que tudo é livrar as pessoas do inferno. Não estamos falando de impor uma religião, mas de conduzir pessoas à salvação em Cristo Jesus.

Todavia, mesmo dentro da igreja, há o conflito entre o gerar e o fazer, porque há quem deseje apenas fazer coisas. Essas pessoas se reúnem nas missões paraeclesiásticas. Muitas dessas missões até ajudam as igrejas locais, mas sua preocupação central é realizar uma atividade.  Algumas dessas entidades compreendem que o importante é pregar o evangelho, mas pregar o evangelho não é tudo, é preciso gerar. Gerar é mais do que evangelizar. Na ordem dada por Deus a Adão, o gerar envolve três fases: ser fecundo, multiplicar-se e encher a terra. Gerar, na ótica de Deus, envolve esses três momentos.

Ser fecundo é pregar o evangelho às pessoas, mas não apenas para torná-las indesculpáveis, ser fecundo é pregar para obter resultado, pregar para que as pessoas se convertam. Algumas missões paraeclesiásticas apenas tornam as pessoas indesculpáveis, porque pregam como uma mera atividade a ser cumprida. Uma vez que houve fecundidade, o próximo estágio é multiplicar-se. Não basta ganhar uma pessoa, é preciso se multiplicar nela. Multiplicar-se é gerar em outra pessoa o que você é, dar-lhe o que você tem, ensiná-la a fazer o que você faz.

O terceiro estágio é encher a terra. Deus quer que geremos filhos, mas não que eles fiquem presos a nós para sempre. Deus quer que os liberemos, que lancemos a semente na terra, para que eles também gerem, multipliquem-se e também enviem seus próprios filhos para encher a terra.

A IGREJA LOCAL

Discipulado só tem sentido dentro do contexto de uma igreja local. Multiplicar-se só tem sentido no contexto da localidade. Mas quem está envolvido com atividades paraeclesiásticas não está muito interessado nas igrejas locais. Não somos contrários a ninguém que faz a obra de Deus, mas o melhor não é se envolver demasiadamente com atividades fora da igreja local. Tudo deve ser nela e a partir dela. Isso é o melhor de Deus. A igreja local é a esperança para este mundo, ela é a estratégia definitiva de Deus.

Precisamos ter a compreensão de que a igreja local é algo mais central no coração de Deus. Contudo, mesmo dentro da igreja local, há conflito entre o fazer coisas e o gerar filhos para Deus. Fazer coisas na igreja não é tão significativo assim. Gerar filhos é que produz pressão, é o grande desafio, envolve crise. Multiplicar uma célula gera crise, e muitos não querem ter crises, por isso não têm alvos diante de Deus. Todavia, devemos ter motivos para chorar diante do Senhor. Infelizmente, poucos hoje clamam: “Senhor, nós queremos filhos, queremos esta cidade e queremos gerar para o Senhor!”

A CÉLULA

A igreja local, porém, ainda não é o âmago do coração de Deus. Há um lugar ainda mais íntimo, onde guardamos e instruímos os filhos que geramos: a célula. Ela é o contexto dado por Deus para que possamos nos reproduzir. A estrutura da célula é muito sensível, e não devemos permitir que nada concorra com ela. Tudo deve ser feito para fortalecê-la.

Infelizmente, as próprias células também podem ser contaminadas com a visão de fazer coisas,

com a mentalidade de Caim, de Babel. Quando o líder não entende que a célula é uma questão de gerar, ele fica apenas cumprindo uma tarefa. Se um líder não gerar outro líder, ele não se multiplicou ainda, não gerou na ótica de Deus.

Quando compreendemos a visão do gerar, a célula se torna um estilo de vida. Não se trata de uma atividade religiosa, mas do compartilhamento de vida. Cada semente gera de acordo com a sua espécie. Como sou pastor, Deus requererá de mim pastores. Eu preciso me reproduzir, gerar pessoas que possam fazer o que eu faço, realizar o que eu realizo, ter o que eu tenho.

 

O DISCIPULADO

Vamos além. Na própria célula, também há um ponto central. A célula não é o ponto final da visão. Para que se possa gerar, é preciso haver discipulado, uma vez que é pelo discipulado que cada membro se reproduz e multiplica. Uma célula que não possui discipulado é deficiente.

 

A célula deve ser em função de gerar por meio de discipulado. Se nos preocuparmos em fazer coisas diversas, teremos problemas. Hoje, não há tempo para fazer mais nada. Não interessa se estamos em cidades grandes, capitais ou no interior. Este é um fato da vida, não há tempo sobrando, então dediquemos nosso tempo ao que interessa. Nosso pouco tempo deve ser muito bem aproveitado realizando o fundamental. Não nos interessa a estratégia ou método utilizado. Gerar é que conta. Se fizermos algo que resulte em gerar filhos para Deus, vamos discipulá-los.

CRISTO EM NÓS

Entretanto, no discipulado também há um ponto central: Cristo dentro de nós. Esse ponto central denuncia um problema recorrente nas igrejas: o ativismo existente. Muito do que fazemos vem de não entendermos que o fundamental é levar as pessoas a experimentar o controle de Cristo na vida delas por meio do Espírito Santo.

 

Até o discipulado aponta para isso. Não temos discípulos nossos, não os temos para nós mesmos, mas para levar cada um deles a conhecer a Cristo. Devemos levá-los a sentir, ouvir e perceber a voz do Cristo vivo dentro deles. Devemos ensinar o que o evangelho diz a respeito de Cristo e da vontade d’Ele se cumprindo em cada um.

 

No fim das contas, Ele é o centro de tudo, ninguém é dono de ninguém, tampouco o discipulado é um mero sistema eclesiástico, mas um relacionamento de vida. O discipulado não é uma mera amizade, mas um relacionamento voltado para um propósito, o propósito de ver Cristo sendo formado em uma pessoa para que ela possa se espalhar e gerar muitos filhos para Deus. Não é um enfoque simplista, ser cheio do Espírito faz toda a diferença. Ele é tudo de que precisamos para uma vida plena.