O Propósito de Deus para o casamento

O Propósito de Deus para o casamento

O casamento não é algo cuja origem é acidental, antes ele nasceu no coração de Deus. É uma
invenção divina. Evidentemente o casamento é algo humano, mas é idéia de Deus, não do homem. Quando
o Senhor criou o homem Ele já tinha em Si mesmo esse conceito.


1. A imagem de Deus

Qual é a imagem de Deus? Certamente não podemos entender qual a imagem dEle, mas há al-
gumas coisas que nós sabemos; uma delas é que Ele é um Deus triúno, ou seja, Ele subsiste na forma de três pessoas.
Quando o Senhor foi criar o homem Ele disse: “Façamos”. Há um só Deus, mas no conselho da
divindade há o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus é um, mas ao mesmo tempo é plural.
Um dos princípios do conselho de Deus é o princípio corporativo. Assim, quando Deus fez o
homem à sua imagem Ele o fez macho e fêmea. Nem o homem e nem a mulher são completos em si mesmos,
mas somente um casal pode expressar a imagem de um Deus que subsiste na forma plural. Na mente de
Deus o homem é o homem e sua mulher. Essa é a imagem de Deus.


2. Concebido antes do pecado


O casamento foi inventado por Deus. Antes que o pecado entrasse no mundo o casamento e a família já existiam. Após a entrada do pecado o casamento tornou-se um problema tal, que às vezes pensamos que é melhor não se casar (Mt 19.10). Lembre-se, no entanto, que o pecado não anula o casamento

e, graças a Deus, a redenção é capaz de restaurar não apenas indivíduos, mas também famílias à concepção original de Deus.

3. A base da operação de Deus

Quando o homem foi criado por Deus, Este tinha uma tarefa especial para aquele. Após a criação o Senhor os abençoou e lhes disse:

Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja
pela terra. (Gn 1.28)

Ora, como um único indivíduo pode ser fecundo, multiplicar-se e encher a terra? É necessário

um casal para alcançar esse propósito. Esse casal constitui a família. Deus também ordenou que eles do-
minassem e sujeitassem a terra que havia caído na rebelião do maligno. Isso seria alcançado pela multiplicação das famílias pelo casamento.

Muitos pensam que o indivíduo é a unidade básica da operação de Deus, mas isso é um engano, a família é a unidade básica do mover de Deus. É por essa razão que satanás se esforça ao máximo para destruir o casamento — não apenas indivíduos, mas a família.
Em Gênesis lemos que antes de criar a mulher Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só”
(Gn 2.18). Alguns imaginam que Deus viu a solidão de Adão e então lhe fez Eva. Mas esse não é o ponto
central. A concepção de Deus é a família e não apenas um homem. Um homem sozinho nunca poderia
cumprir o Seu propósito, por isso, Ele disse “não é bom que o homem esteja só”. Em outras palavras, Deus
viu que não era bom que o homem estivesse só, porque assim ele não poderia cumprir o propósito eterno.

E mesmo que a questão fosse a solidão, isso apenas mostra que o propósito de Deus para o ho-
mem desde o princípio não era o individualismo. O propósito dEle é que a mulher seja a contraparte e

a auxiliadora do homem. Quando essas partes se encontram, então temos a unidade. É pela cooperação,
ou parceria entre os dois, que a obra de Deus é realizada. O Senhor então disse: “Far-lhe-ei uma auxiliadora
que lhe seja idônea” (Gn 2.18).


a. Uma auxiliadora

Primeiramente vamos considerar a palavra auxiliadora. O propósito de Deus não pode ser cum-
prido apenas com o homem. Deus ainda precisa da mulher.

b. Idônea


A segunda palavra que deve ser considerada é idônea. Ela significa à altura, do mesmo tipo, da
mesma natureza, algo que se pode usar para complementar.
Deus mandou que Adão colocasse nome nos animais para que ele percebesse que animal algum
poderia ser seu complemento. Era como se Adão dissesse: “Eles não se parecem comigo, como posso tê-los
como companheiros?”. Isto certamente levou o homem a perceber a necessidade de uma companheira idônea.


4. O ingrediente indispensável do casamento

Tendemos a pensar que o casamento é constituído pelo homem e sua mulher e se eles se amarem o casamento será feliz e bem-sucedido. Mas, de acordo com a Palavra de Deus, a família possui uma

terceira pessoa, o Senhor. Todos os dias, na viração do dia, Ele vinha ter comunhão com Adão e Eva. Deus
não era apenas o criador da família, mas um de seus membros. Na verdade Ele era o Senhor da família.

Na sua origem havia uma harmonia perfeita entre o homem, a mulher e Deus. Este era um casamento debaixo de Deus, o conceito original do Pai. Quando o homem se esquece que o Senhor é um

membro da família e Ele é deixado de fora, então o casamento começa a desintegrar-se.


5. A unidade do casamento


O alicerce do casamento é o Senhor, mas Ele também estabeleceu princípios fundamentais no
dia em que realizou o primeiro casamento, como lemos em Gênesis 2.

Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os
dois uma só carne. Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus
e não se envergonhavam. (Gn 2.24,25)

a. Deixar — “Por isso deixará o homem pai e mãe”


Em primeiro lugar é um deixar financeiro. O homem, antes, vivia na dependência dos pais, mas,
agora, ambos viverão por si mesmo.

Em segundo lugar é um deixar geográfico. Antes viviam na casa de seus pais, mas agora
deverão sair e constituir sua própria casa. Ignorar esse princípio tem sido a causa do insucesso de
muitos casamentos.
E, por fim, é também um deixar emocional. A dependência emocional que ambos tinham dos
pais será substituída pela dependência mútua. Eu li a respeito de um pai de grande sabedoria. Sua filha
recém casada o chamou depois de ter uma discussão com o seu marido chorando. Ela disse: “Pai, eu quero
voltar para casa!”. Seu pai lhe respondeu: “Você está em casa!”.


b. O compromisso — “e se unirá à sua mulher”

O homem se unirá à sua mulher antes de tudo em um relacionamento permanente. O casa-
mento é para toda a vida. O segundo sentido é que o homem se une a apenas uma mulher. Portanto é

um relacionamento monogâmico. Deus não fez muitas “Evas” para Adão, mas apenas uma. E, por fim,

esse compromisso se consuma em um relacionamento exclusivo. Ambos devem se guardar exclusiva-
mente para o outro.

c. A unidade — “transformando-se os dois numa só carne”


O alvo de Deus é que homem e mulher se tornem uma só carne. Isto, porém, não significa a
perda de identidade e individualidade. O casamento não é também a anulação de um em função do outro.
Não é dominação do fraco pelo forte. Antes a idéia de Deus é um completando o outro.
O relacionamento de “uma só carne” planejado por Deus é o resultado de duas pessoas se dando

ativamente um ao outro. Os dois foram criados para se completar e satisfazer um ao outro. Juntos, se fortalecem mutuamente e criam uma unidade mais forte que cada um individualmente. Suas forças não só se somam, mas se multiplicam.
No relacionamento de uma só carne, Deus estabeleceu esse sinergismo, onde o todo é maior

que a soma das partes. Ao se unirem ativa e intencionalmente, homem e mulher combinam suas habilidades. Cada um tem atributos singulares que aumentam a unidade dos dois.

d. A intimidade — “estavam nus”


A unidade do homem e da mulher se torna visível na intimidade. Essa intimidade acontecia em

todos os aspectos. Sendo o homem um ser triúno, espírito, alma e corpo, a intimidade acontecia em to-
dos esses níveis (1Ts 5.23).

Em primeiro lugar era uma intimidade espiritual. Eles tinham um só coração e uma mesma co-
munhão com Deus. Somente na presença de Deus eles poderiam ter essa unidade. Era também uma in-
timidade intelectual. Eles tinham um mesmo pensar e um único parecer (Fp 2.2,3).

E também havia uma intimidade emocional. Nenhum deles se constrangia em expressar suas
emoções livremente. O ápice de tudo isso acontecia na intimidade física. É nesse momento que os dois
se tornam fisicamente uma só carne.


e. Segurança — “e não se envergonhavam”


A nudez possui um significado simbólico. A ausência de roupa nos fala de transparência. Adão
e Eva estavam nus, ou seja, eram transparentes um para com o outro. Nada tinham para esconder, nem
do que se envergonhar.

Você só pode estar nu diante daquele com quem você tem aliança. A nudez só acontece no casamento, porque no casamento existe a aliança. Você só pode se mostrar completamente para aquele com

quem você tem uma aliança.
Porque as pessoas sentem inibição e vergonha? Sentimo-nos envergonhados diante dos outros
quando temos medo de rejeição, crítica e acusação. No casamento como Deus planejou, não há medo
de abandono, pois ambos vivem em completa intimidade e aceitação.


6. O melhor é que dois sejam um


A unidade fundamental do mover de Deus é a família. Deus sempre existiu em comunidade,
sendo Ele triúno, e nos criou para também vivermos em comunidade. A família é a imagem de Deus e
não apenas o homem individualmente. É na relação que nós somos formados e também desenvolvemos
a nossa personalidade.
O casamento foi uma invenção de Deus, porque Ele viu que era melhor serem dois do que um.
Em Eclesiastes, Salomão explica porque é melhor serem dois do que um. Ele coloca pelo menos quatro
razões fundamentais para isso.

Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que es-
tiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dor-
mirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras
não se rebenta com facilidade. (Ec 4.9-12)

a. O ganho tem mais significado


Ganhar sem ter alguém para repartir é inútil. Por outro lado, ganhar e não dar para alguém é mero
egoísmo, é apenas um enfado da alma. Mas, se ganhamos e compartilhamos com alguém, nos sentimos

gratificados. Ganhar para investir junto com alguém fortalece o relacionamento e dá sentido a tudo. As-
sim, é melhor é serem dois do que um.

b. O fracasso nunca é total

Na queda moral, há o exercício do perdão e um levanta o outro. Na queda espiritual, há um in-
vestimento em oração e intercessão e assim, mais uma vez, um levanta o outro. Na queda psicológica, há

a atitude de compreensão e aceitação, um levanta a moral do outro. E na queda financeira há o incentivo
e o otimismo para que o outro se levante. Salomão apenas conclui que é o melhor é serem dois do que um.


c. O frio não os vencerá


Evidentemente existe o frio do inverno que pode ser cortante, mas existe também o frio do descaso
e da solidão. Além desses, há ainda os frios da vida, refletidos naquele frio no estômago, no susto e no
medo. Nessas horas nada conforta mais que não estar sozinho. Somente se aquecendo mutuamente no
relacionamento podemos vencer as friagens da vida, porque melhor é serem dois do que um.


d. Os inimigos não irão vencê-los


A luta de um é a luta do outro. Os dois juntos certamente prevalecerão contra o inimigo, mas

sozinhos são vencidos. Apesar de ser melhor serem dois do que um, o propósito de Deus é que nos tornemos uma só carne e, somente nesse momento é melhor ser um do que dois.

7. A queda da família


No capítulo 3 de Gênesis, lemos a respeito da queda da família. Os princípios que encontramos
lá são os mesmos que ainda vemos atacando os casamentos de hoje.


a. Homem e mulher estavam separados

A Bíblia diz que Eva estava sozinha quando a serpente veio atacá-la. Adão deveria estar sem-
pre com Eva. Eles deveriam fazer tudo juntos no Éden. A família dividida deu oportunidade para o inimigo atacar.

Quando alguém na família começa a tomar as suas próprias decisões, e age de forma independente, indo pelo seu próprio caminho, o inimigo tem uma oportunidade de dividir e governar. Essa é a

tática dele. A família deve permanecer unida debaixo do governo de Deus. Isso é proteção.


b. A ordem divina foi invertida

Deus colocou uma ordem divina no casamento. Adão foi criado primeiro, era o cabeça da família (1Co 11.3). Eva foi formada a partir de Adão, deveria, então, ser o corpo da família. A cabeça sem o corpo nada pode fazer, e o corpo, sem a cabeça, não tem direção. Essa era a ordem divina, mas na queda
a ordem de Deus foi invertida.
Eva deveria ter dito à serpente: “Eu vou me aconselhar com Adão e saber a opinião dele”. Se tivesse feito isso, nunca teria caído. Mas ela assumiu o encabeçamento e tomou a iniciativa de forma in-
dependente. A ordem foi invertida, em vez de Adão ser o cabeça ele deixou que Eva o conduzisse, e esta até lhe deu do fruto.
Algo interessante acontece aqui. Em 1Timóteo 2.14, lemos que Eva foi enganada e caiu em
transgressão. Mas em Romanos 5.12 lemos que por um só homem entrou o pecado no mundo, e esse
homem era Adão e não Eva. Concluímos que, no que diz respeito à história, a mulher foi enganada e
caiu, mas no que diz respeito à interpretação de Deus, Adão foi considerado o responsável, porque
ele era o cabeça.


c. Deus deixou de ser o primeiro


Adão não foi enganado, ele estava com os olhos bem abertos quando comeu do fruto. Ele sabia
que era pecado contra Deus. Então, por que ele comeu? Porque ele amou a Eva mais do que a Deus. Ele estava disposto a desistir de Deus, mas a não desistir de sua esposa. O homem deve amar a sua esposa,
mas o alicerce do casamento depende de amarmos a Deus acima de todas as coisas, até mesmo acima
de nosso cônjuge.


d. Esconderam o pecado


Não havia mais transparência entre homem e mulher. Na tentativa de esconder o pecado eles

fizeram cintas para si (Gn 3.7). Sempre buscamos uma maquiagem, um jeito de disfarçar o nosso peca-
do. Agora não havia mais transparência no relacionamento. Já não eram uma só alma.

e. Esconderam-se de Deus


Eles sabiam que o resultado da transgressão era a morte, por isso, se esconderam de Deus
por entre as árvores do jardim (3.8), esperando a sentença de morte. Deus já não era parte do casamento deles. Quando o Senhor deixa de ser parte do casamento, este desmorona, porque já não
há mais unidade no espírito.

f. Projetaram a culpa no outro


Ao projetarem a culpa de um sobre o outro, Adão e Eva perderam a perspectiva de quem era
realmente o inimigo deles. Muitos casais estão enganados pelo maligno pensando que o problema do
casamento é o cônjuge.
Mas uma questão também deve ser considerada. Será que Adão estava com medo da sentença
de morte e resolveu jogar a culpa sobre a mulher para se livrar da condenação de Deus? Deus havia dito

que se comesse morreria, mas quem sabe ele seria considerado inocente se mostrasse que fora a mu-
lher que o enganara. Se for isso, vemos que com a queda o amor desapareceu do casamento, dando lu-
gar ao egoísmo.

g. Não assumiram a responsabilidade


À primeira vista parece que Adão culpou a Eva, mas na verdade ele culpou o próprio Deus ao
dizer: “A mulher que me destes”. É terrível quando não assumimos responsabilidade e até acusamos a
Deus de nos levar ao pecado. O grande problema é que não assumiram a culpa pelo pecado. Os casais
hoje também relutam em chamar o pecado de pecado e arrepender-se.


8. A corrupção do casamento

O resultado da queda foi que da unidade do espírito, alma e corpo restou apenas a unidade fí-
sica (Gn 4.1). A unidade física é importante, mas insuficiente para trazer plena realização.

A partir do capítulo 4 de Gênesis, vemos o surgimento da poligamia com Lameque e suas duas
mulheres (Gn 4.19). O princípio era os dois se tornarem uma só carne, mas com a poligamia o casamento
se tornou apenas uma satisfação dos desejos sexuais do homem. Da poligamia vieram as concubinas e,
por fim, o divórcio. Tudo isso foi conseqüência do pecado e não estava no propósito original de Deus.

9. A salvação do casamento


Jesus veio para redimir a humanidade e restaurar o relacionamento original do homem com Deus.

Só em Cristo podemos receber tudo o que Deus tem para o casamento, porque Ele é o único que comprou de volta aquilo que foi perdido através da queda de Adão e Eva.

Sem Jesus o casamento não passa de uma imitação daquilo que Deus deseja. Não podemos nos

contentar com as imitações de casamento atuais, mas buscar a vontade original de Deus. Isto é ser sensível ao coração do Pai.

Depois da queda todos nós nascemos com a natureza pecaminosa, egoísta e egocêntrica. É por

isso que precisamos nascer de novo (Jo 3.3). Sem Jesus o máximo que conseguimos é nos educar através de técnicas humanas, mas em Cristo recebemos uma nova natureza e um novo coração.

O casamento que foi redimido por Cristo não precisa conformar-se aos padrões do mundo
e nem ser afligido pelas coisas que estão destruindo o casamento ao redor do mundo. O Senhor redimiu o casamento para seu estado original, restabelecendo o padrão de Deus para o nosso relacionamento conjugal.