Princípios absolutos da obra de Deus

Princípios absolutos da obra de Deus

Muitos irmãos creem que há várias maneiras de se fazer a obra de Deus. Creem que uns
podem fazer de uma forma, outros de outra.
O problema de tais afirmações, é a percepção exclusiva dos métodos. Quando olhamos
apenas para métodos é porque nossa visão está focada apenas em fazer algo para Deus e não
exatamente em conhecer o seu coração e realizar a sua vontade.
Alguns nos perguntam se nós cremos que temos o “método” correto e se pensamos que todos deveriam copiar nossa maneira de fazer a obra. Para respondermos essas questões precisamos estar claros sobre a diferença entre métodos e princípios.

1 – Métodos ou Princípios?


Os Métodos são relativos. Mas os Princípios são absolutos. Isto é, os métodos podem mudar

conforme o tempo, o local e as circunstâncias, mas os princípios não mudam nunca. Os princípios são inquestionáveis e permanentes. Por isso, descobrir e praticar princípios é fundamental na obra de Deus.
Todas as nossas práticas ou métodos devem se originar de princípios. Não importa quantas
práticas tenhamos, ou quanto estas práticas mudem, elas devem emanar de princípios imutáveis.

(PRINCÍPIOS – ABSLUTOS PRÁTICAS – RELATIVAS)

Um engano comum é pensar que apenas o alvo é absoluto na obra de Deus, mas que a
estratégia é relativa. Alguns pensam que “o que” Deus quer é absoluto, mas “o como” Deus
quer é relativo. O que importa é o objetivo, e concluem que cada um deve procurar alcançá-lo
da maneira que bem entender. Mas isso é um engano. Não podemos fazer a obra de Deus da
maneira que quisermos. Os objetivos de Deus evidentemente são fundamentais. Entretanto
ele não nos dá uma obra tão tremenda dizendo: “façam como quiserem”. Isto não quer dizer
que ele vai nos dar detalhes sobre as práticas. Mas vai nos orientar quanto aos princípios do seu
propósito na obra, a respeito “Do Que” ele quer e “De Como” ele quer.

1.1 PRINCÍPIOS ABSOLUTOS DA OBRA

A. O centro do coração de Deus é gerar filhos semelhantes a Jesus


Ninguém pode questionar Rm8:28-29. Deus deseja muitos filhos e deseja que esses filhos
sejam semelhantes a Jesus. Assim não trabalhamos apenas para salvar muita gente, encher o
salão, mantê-los na igreja e ter um trabalho grande e reconhecido. Nosso alvo é apresentá-los

como noiva perante o noivo. Se não trabalhamos como Paulo (Cl 1.28; Ef4.13), não cooperamos com Deus de maneira completa.

B. Jesus é o nosso único ponto de referência e a palavra apostólica é a nossa única base de edificação


Não devemos olhar apenas para Jesus Cristo na cruz, na ressurreição ou no trono. Devemos
olhar para o Jesus obreiro, sua maneira de operar e sua estratégia de ação. Os homens de
sucesso, os ministérios reconhecidos mundialmente, não servem como ponto de referência
absolutos. Eles são referência apenas na medida em que eles ilustram a Jesus como modelo.

Ver Mt17.1-5; Hb1.1-3.
Além disso temos o fundamento dos Apóstolos. Evidentemente o Velho Testamento é útil
(2Tm 3.16), mas não serve como base. O V.T. Contem as sombras e figuras (Cl 2.16-17;

Hb8.5; 9.23; 10.1), mas o Novo Testamento contém a realidade que é Jesus e a Igreja. Se quiséssemos edificar uma nação terrena, deveríamos buscar os princípios para esta obra no V.T., mas a igreja é uma nação celestial (Ef2.6; Hb12.22), e os princípios para sua edificação estão no N.T. (ver ainda Gl4.8-11).

C. A Ordem de Jesus é que façamos discípulos e não frequentadores de cultos (Mt28-18-20)


Para entendermos bem que obra é esta, temos que ir ao Novo Testamento e ver com cuidado:

1. O que era um discípulo para Jesus (Lc14.26-27; 14.33; Jo8.31; 13.34-35; 15.8);
2. Como Jesus fazia discípulos, que mensagem pregava e que condições colocava (Mt18-19;
9.9; 19.16-22; Lc9.57-62; 14.26-33);
3. Como ele cuidava dos discípulos (Mc 3.14; Jo17; Mt5.1-2)
Não podemos considerar esta maneira de Jesus trabalhar, como algo relativo. Devemos fazer
como ele fez.

D. A única pregação que forma discípulos é a pregação do evangelho do reino


O evangelho do reino é a visão dos vencedores. Temos que conhecer bem a diferença entre
o evangelho do reino e o evangelho das bênçãos. Se pregamos salvação sem as condições do
discipulado, não vamos formar discípulos, mas um ajuntamento de gente sem compromisso e
submissão a Deus. Não formamos apenas salvos, mas salvos vencedores. A principal motivação
para sermos discípulos é a recompensa prometida aos crentes vencedores.

E. Praticamos o discipulado, mas não ignoramos a importância do ensino e do treinamento


É um engano pensar que o discipulado substitui o treinamento dentro da vida da Igreja.
Levantamos líderes pelo discipulado, mas também instruímos esses líderes pelo ministério do
ensino. A formação e a informação devem caminhar juntas.

F. A estratégia de Deus para cumprir o seu propósito é o ministério de todos os santos


Cada membro é um ministro e deve ser treinado para o desempenho do seu serviço segundo
lemos em Efésios 4.11-16. Temos cargos e governo na Igreja, mas nunca podemos permitir que
se transformem em posições clericais que anulem as funções do corpo (Rm8.28-29 e Ef4.13).

G. Todo reconhecimento ministerial deve ser pelo fruto do serviço


(Mt7.16)
Deve haver fruto de vidas alcançadas, transformadas, edificadas e células multiplicadas para
que alguém vá crescendo no ministério. Em algumas igrejas o reconhecimento vem através de um curso teológico. Em outras, o reconhecimento é pelo carisma, ou pela eloquência no ensino. Nos tempos do N.T., os presbíteros surgiam no seio da própria igreja, e eram reconhecidos

pelo seu caráter e pelos frutos no serviço (Tt1.5-9).

 Os pastores devem ser modelo para tudo aquilo que querem que os
demais discípulos sejam e façam. (At 1.1; Hb5.1-3)
Devem ser o exemplo, não apenas quanto a sua santidade pessoal, mas também quanto ao
serviço na obra de Deus. Devem se relacionar, pregar o evangelho, fazer discípulos, edificá-los,
formar células, etc.

I. Todo ensino e estrutura deve se manter na simplicidade (2Co 11.3)
Não devemos ter uma estrutura complexa e nem um treinamento intelectualizado. Paulo
deu todo o conselho de Deus aos Efésios em apenas três anos (At 20.27). Jesus mandou guardar
todas as coisas que ele nos ordenou e não toda a Bíblia. Se a igreja está cheia de intelectualismo
teológico, ou está sempre atrás de novidades, será muito difícil edificar discípulos. A novidade
na igreja é que o amor e a obediência aumentem, e muitos novos se convertam ao Senhor.

J. Todo trabalho se faz nas células e a partir delas (At 2.46; 5.42;
Rm16.10,14,15; 1Co 16.15,19; Cl 4.15)

O Espírito Santo levou a igreja para as casas, não para fazerem reuniões com oração cân-
tico e pregação, mas para serem tudo o que a igreja deve ser (principalmente desenvolver o

ministério dos santos). Em grandes reuniões, com muita gente, não se pode treinar os santos

para o seu ministério. Por isso devemos nos reunir nas casas, em grupos pequenos que cha-
mamos de célula.

K. A Igreja é um organismo, mas os aspectos da organização não devem
ser negligenciados.
Aspectos como tesouraria e registros formais da lei devem criteriosamente observados para
que o nome do Senhor não seja desonrado. O próprio Senhor Jesus tinha um tesoureiro, o
que indica que as finanças eram organizadas.

L. Toda igreja local deve ter o seu governo ou presbitério
estabelecido.
O pastor não deve governar a Igreja sozinho e nem fazer das contas da Igreja a sua conta
pessoal. As decisões devem ser tomadas em comum acordo com um grupo de discípulos que
deverão formar um presbitério assim que a Igreja atinja um determinado número de células.

9
1.2 PRINCÍPIOS ABSOLUTOS ESPECÍFICOS
DAS CÉLULAS

1. Os grupos devem ser pequenos
Nem sempre é possível manter os grupos pequenos como se gostaria por causa da lentidão
em formar novos líderes. Mas devemos fazer todo o esforço nesta direção para que a vida da
célula não se degenere.

2. A célula é muito mais que a sua reunião
O alvo principal da célula não é fazer um culto, mas ser comunidade, turma, grupo. A célula não

acontece apenas no dia da reunião, mas o grupo deve acontecer durante toda a semana no compa-
nheirismo, no evangelismo, nas visitas aos novos, no cuidado dos discípulos, nos encontros com os

discipuladores, nos encontros com a rede, nos encontros da liderança, nas festas, nos aniversários, etc.

3. Os líderes devem ser treinados em tudo aquilo que devem produzir
nas células

Se alguém não tem uma experiência de companheirismo, evangelismo, edificação de discí-
pulos e formação de discipuladores, como vai levar a célula a ter esta experiência?

4. O trabalho dos líderes deve levar em conta os níveis
Jesus é o modelo da obra, e ele trabalhava por níveis. Havia as multidões, os 500, os 120, os 70, os

12, e entre estes, Pedro, João e Tiago. Para cada nível há uma intensidade de acompanhamento e com-
promisso correspondente. Cada líder precisa ter clareza desses níveis. Quem não distingue níveis na

igreja e na célula, está deixando de lado um princípio absoluto, que percebemos no ministério de Jesus.

5. O encontro da célula deve ser contagiante e interativo
Os discípulos que fazem parte do grupo, não apenas devem trabalhar durante a semana, mas
durante nas reuniões devem participar com suas orações, testemunhos do trabalho e acima de
tudo falando no momento do compartilhamento.
6. A célula deve ter alvos de multiplicação

Discípulos medrosos, que querem ficar sempre dentro de sua zona de segurança, dificil-
mente vão dar continuidade à obra. Devemos desafiar todos os líderes a se multiplicarem e

multiplicarem sua célula.

10 P r á t i c a s e v a l o r e s d o m i n i s t é r i o
7. Cada membro é um sacerdote e cada sacerdote deve ser discipulado
para se tornar um líder

Um líder não deve ser constituído numa célula antes que conclua todo o trilho de treina-
mento da Igreja e seja reconhecidamente um discípulo comprometido com o Senhor e seu

discipulador.
8. Cada célula deve estar debaixo de cobertura e supervisão
Não existem líderes independentes em nossa igreja. Todos devem prestar contas a um outro
líder, no nível acima de autoridade. Pessoas que não se submetem ao seu nível de liderança
estão demonstrando que são desqualificadas para liderar entre nós. O bom líder é também um
bom liderado.

9. A estrutura de células é movida pela unção e não pela mera
organização
Sem o poder de Deus, entretemos os santos e nos iludimos com atividades. A Igreja não é
terrena; a sua origem é celestial, assim como o seu poder e a sua própria vida. Qualquer coisa

que não for feita com base nesta força espiritual, não traduzirá a realidade da Igreja; seja comu-
nhão, pregação, aconselhamento, música ou as células.

10. As células não são um departamento; são a própria igreja.
Não somos uma igreja na qual as células são apenas departamentos e programas existentes
ou uma dentre as muitas opções dentro da igreja. Em igrejas, onde as células são apenas um
departamento, as pessoas dizem que fazem parte do ministério de células, como se fizessem
parte do grupo de teatro, de música ou de qualquer outro. Nós somos o inverso disso: somos
uma igreja em células!