Quebrando o ciclo do pecado

Quebrando o ciclo do pecado

O evangelho é completamente a respeito da bondade de Deus. Precisamos receber luz do Espírito para entendermos o quanto somos amados pelo Pai. Quando entendemos esse amor, a libertação começa a se manifestar.

Na carne, o homem não pensa coisas boas a respeito de Deus. Quando ouve sobre a graça, ele se pergunta: “Será que Deus pode ser assim tão bom?”

A graça não leva ao pecado, mas a lei sim. Na verdade, é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Rm 2.4) 

Precisamos, então, ter clareza em nossa mente de que Deus é bom e Ele não está nos privando de nada bom. Quando ele coloca o sexo apenas dentro do casamento, está fazendo algo para nos abençoar.

Não pense que Deus seja contra o sexo. Deus criou o sexo. Na verdade, o primeiro mandamento que Ele deu ao homem foi para fazer sexo. Ele disse a Adão que crescesse e multiplicasse.

Tudo aquilo que nós limitamos se torna poderoso, mas aquilo que liberamos se dissipa e se perde. Deus criou o sexo para ser limitado no casamento entre marido e mulher. Isso faz com que ele seja explosivo e gratificante.

Mas o diabo tirou o sexo para fora do casamento, e isso faz com que a sua energia se dissipe e o homem não consiga nenhuma satisfação permanente.

Os pecados não são iguais. Jesus disse a Pilatos que aqueles que o haviam entregado a ele tinham um pecado ainda maior (Jo 19.11).

O pecado sexual é completamente diferente de todos os outros pecados. Paulo diz que todo pecado é fora do corpo, mas o pecado sexual atinge o corpo.

Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. (1Co 6.18)

Alguns dizem que o crente que cai em pecado sexual se enche de demônios, mas Paulo não diz isso; antes, ele firma categoricamente que o crente continua sendo templo do Espírito Santo. Não deixa de ser. E isso é o que torna o pecado sexual ainda mais grave.

O ciclo do pecado

O grande problema do pecado sexual é a sua repetição. Ele se torna um ciclo que, se não for quebrado, vai continuar se repetindo. É preciso dizer não em algum ponto.

>Tentação

> confiança na carne (eu posso lidar com isso)

> queda no pecado

>   culpa (acusação e condenação) 

>  Tentação.

  1. Tentação

A respeito da tentação, precisamos esclarecer antes de tudo que ser tentado não é pecado. Infelizmente, muitos se deixam levar para o pecado porque são convencidos de que, quando sentem a tentação, então já pecaram diante de Deus. Mas isso é um engano.

Tentação é diferente de intenção. Muitos homens olham para mulheres, mas há aqueles que olham com intenção impura (Mt 5.28).

A segunda coisa é que a ordem bíblica é para que fujamos do pecado. Não tente resistir à tentação, simplesmente fuja dela. Fuja daquilo que dá ocasião ao pecado. Paulo diz, em 1 Coríntios 6.18, que devemos fugir da impureza. Devemos fazer como José diante da esposa de Potifar.

Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. (2Tm 2.22)

O momento da tentação é o melhor momento para dizermos não ao pecado, e fazemos isso simplesmente fugindo.

 

  1. Confiança na carne

Entretanto, em vez de fugir, alguns tolamente acreditam que podem lidar com o pecado na sua força. Isso é chamado de confiança na carne, justiça própria. A Palavra de Deus diz que a soberba precede a ruína (Pv 16.18). Se queremos ter vitória, precisamos ser humildes diante de Deus.

O que é a confiança na carne? É quando pensamos que podemos lidar com aquela situação. Precisamos entender que a corte não é um tipo de legalismo. Não estamos estabelecendo uma lei de como você pode se tornar mais santo ou como ser aceito diante de Deus. Nada disso. A corte é apenas a atitude de jovens que são humildes e que reconhecem que não podem confiar na carne. Eles sabem que não podem lidar com isso, por isso querem fugir de tudo o que dá ocasião à carne.

 

  1. Queda

Quando confiamos na carne, inevitavelmente cairemos no pecado. Tenha cuidado com o pecado, pois ele sempre tem consequências. Mesmo que tenhamos sido libertos da maldição da colheita do pecado, ainda estamos sujeitos às suas consequências.

Pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. (Cl 3.25)

Há uma advertência muito séria do apóstolo Paulo para aqueles defraudam seu irmão na questão sexual. Ele diz que Deus é o vingador.

Que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador. (1Ts 4.4-6)

Quem disse isso foi o apóstolo da graça. Ele não está dizendo que aquele que cai no pecado sofrerá a ira de Deus. Ele diz apenas que Deus nunca é neutro. Se dois filhos chegam diante d’Ele com uma contenda, Ele julgará a causa. Ele jamais fica neutro. E se alguém defraudar a seu irmão na questão sexual, sofrerá a disciplina do Pai.

Se alguém possuir a mulher do irmão ou se alguém aproveitar de uma irmã com palavras e lisonjas com o fim de seduzi-la, o Senhor será o o vingador. Nunca trate o pecado de forma displicente, muito menos o pecado sexual, pois quem comete pecado sexual peca contra o próprio corpo.

 

  1. Culpa

A não ser que você não tenha nascido de novo, inevitavelmente sentirá culpa após a queda. O diabo está presente em todo o processo. Ele é o tentador e depois se torna o acusador. Mas se você não conseguiu dizer não em nenhum outro momento, então diga não agora. Muitos equivocadamente pensam que, quanto mais condenação sentirem, mais força terão para vencer o pecado da próxima vez, mas isso não é verdade. A condenação torna o pecado mais forte ainda.

Por que isso acontece? Para compreendermos isso, precisamos entender como a lei atua em nós fortalecendo o pecado. Paulo diz que a força do pecado é a lei.

O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. (1Co 15.56)

Quanto mais vivermos na lei, mais o pecado se manifestará em nossa carne. Mas como saber se estamos na lei? Pode parecer estranho, mas o Senhor Jesus disse que quem nos acusa é Moisés.

Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. (Jo 5.45)

Evidentemente, Moisés é apenas um símbolo da lei. Isso significa que quem nos acusa é a lei. Na verdade, o diabo é o acusador, mas agora ficamos sabendo que ele usa a lei para nos condenar. Quando aceitamos condenação, nos colocamos debaixo da lei, e quando estamos debaixo da lei, o pecado torna-se mais forte em nós. Esta é a lógica da Palavra de Deus.

Se a consequência da lei é sempre condenação, isso significa que o sentimento de condenação e acusação é que dá força ao pecado. Poderíamos dizer, em outras palavras, que a força do pecado é a condenação.

Sempre que você lê sobre a lei no Novo Testamento, você deve pensar em condenação. A lei traz o conhecimento do pecado, e, com o conhecimento, a condenação. Ser liberto da lei é ser livre de toda condenação.

Em 2 Coríntios 3.9, Paulo chama a lei de ministério da condenação em oposição ao evangelho, que é chamado de ministério da justiça. O ministério da condenação sempre produz morte, mas a justiça de Cristo traz vida.

Quando alguém realmente tem revelação de que não está mais debaixo de condenação, essa pessoa vence o pecado. Em João 8, o Senhor disse à mulher pega em adultério: “Nem eu tampouco te condeno, vai e não peques mais”.

Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais. (Jo 8.10-11)

A mulher só poderia cumprir a ordem de não pecar mais porque tinha recebido o dom da não condenação. Quem se sente debaixo de condenação está condenado a repetir o pecado sempre.

Estar debaixo da lei é o mesmo que estar debaixo de condenação. Paulo disse que o pecado não terá domínio sobre nós porque não estamos mais debaixo da lei, ou seja, debaixo de condenação (Rm 6.14). E se o pecado não tem domínio, então a pobreza não terá domínio, a doença, a maldição e o diabo não terão mais domínio sobre nós, porque estamos debaixo da graça.

A lei significa receber o favor com a condição de obedecermos ao mandamento. Como não obedecemos, o resultado da lei é sempre condenação. Mas hoje estamos debaixo do favor imerecido, da graça de Deus.

Alguns pensam que, quando pregamos sobre a não condenação, estamos fazendo Deus tolerante com o pecado. A verdade é exatamente o oposto disso.

O motivo pelo qual não há condenação é porque os nossos pecados foram todos condenados na cruz do Calvário. Mesmo aquele pecado mais sutil que ocorre em nossa mente, até aquele mais grotesco, todos foram colocados sobre o Senhor Jesus na cruz. Deus não ignorou nenhum deles.

O motivo de não termos condenação hoje é justamente porque os nossos pecados já foram condenados no corpo de outro. Um mesmo crime não pode ser punido duas vezes.

Mas veja bem que a razão pela qual caímos no pecado é a confiança na carne, e se a condenação nos leva de volta ao pecado, isso mostra que o sentimento de condenação está também baseado na confiança na carne.

Acalentar o sentimento de condenação é dizer que o sacrifício de Cristo não teve valor ou é insuficiente para resolver a questão do pecado. Quando agimos assim, estamos deixando de desfrutar da graça e por isso saímos de debaixo do favor.

O que muitos não percebem é que o sentimento de condenação é também justiça própria disfarçada. É a carne tentando mostrar como está triste pelo pecado com o fim de ter algum mérito.

Aqueles que possuem justiça própria estão sempre olhando para si mesmos pensando o quanto são bons e aprovados em suas obras, mas aqueles que aceitam condenação também são ocupados consigo mesmos, sempre se olhando com o alvo de encontrar alguma coisa boa em si.