Ser Cristão é ser discípulo

Ser Cristão é ser discípulo

Então, suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na mente. (1Sm 2.35)

A diferença de mentalidade e identidade

 antes de falarmos da mentalidade de discípulo, é importante ressaltar a diferença da mentalidade e da identidade.

Embora se pareçam, a mentalidade abrange um aspecto diferente. A identidade é como você se vê. Ela é o seu auto-retrato, é a imagem que você tem de si mesmo. Enquanto, a mentalidade é a maneira como você vê o mundo. É como você enxerga as coisas ao seu redor. A identidade fala de uma visão interna, pessoal, a mentalidade abrange o seu conceito sobre todas as coisas, até mesmo sobre Deus.

Ambas precisam ser transformadas a luz da Palavra de Deus, pois, influenciam nos seus relacionamentos e decisões. Já falamos da necessidade do líder assumir sua nova identidade em Deus. Vamos falar agora da mudança de mentalidade, no contexto do discipulado.

Alguns cristãos não têm problemas de auto-imagem, mas sua mente é natural. Seus padrões de vida são mundanos. Ele precisa urgentemente da mente de Deus. A mente de Deus é a Bíblia Sagrada.

Penso que a primeira coisa que precisa ficar claro é se a pessoa a ser discipulada é nascida de novo. Alguém que já aceitou a Jesus como seu Salvador, deve reconhecer que também o recebeu como Senhor. Aceitar o senhorio de Cristo é aceitar o senhorio da Sua Palavra.

Embora no novo nascimento Deus faça uma obra completa no nosso ser, ele trabalha separadamente no espírito e na mente. A obra que Deus realiza no espírito é instantânea, mas a obra na mente é um processo. Isso é claramente percebido na experiência de cada crente, pois, a mudança de mentalidade reflete na mudança de comportamento.

Algumas coisas mudam instantaneamente, outras levam mais tempo. Por quê? Por causa dos conceitos mundanos errados enraizados na mente da pessoa.

Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. (Jr 31.33)

Deus deixa claro que o Seu povo tem uma mente diferente da mente do mundo.

A mentalidade de discípulo

Um discípulo é um sacerdote fiel, que procede segundo a mente de Deus. Esse é o conceito de Deus sobre sacerdócio. Um sacerdote é um discípulo, é alguém que pensa como Deus e age segundo a Sua Palavra.

Temos muitos membros participando de grupos de discipulado, mas poucos discípulos. Por quê? Porque para ser discípulo é preciso, primeiro pensar como discípulo.

A primeira coisa que se deve trabalhar dentro do discipulado é a mentalidade de discípulo. Essa deve ser formada nos primeiros anos do discipulado. Pois, se ele não pensar como discípulo, pouco adiantará aprender a fazer um trabalho.

A primeira coisa que Jesus fez com seus discípulos foi investir na mudança de mentalidade. Por três anos Jesus falou a respeito do reino de Deus. Porque ser discípulo é uma questão de enxergar e discernir o reino de Deus. Somente aqueles que discernem vão se dispor a pagar o preço do discipulado.


  • O que significa ser discípulo de Jesus?

Significa seguir os seus passos. Vemos que os seus discípulos não se tornaram discípulos só porque andavam com Jesus, mas porque pensavam como ele, porque tinham o mesmo coração e decidiram viver com o mesmo propósito.

Em Atos temos um versículo interessante que nos mostra como os discípulos eram reconhecidos a ponto de serem chamados de pequenos Cristos – Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos (At 11.26).

A palavra “cristão” surgiu no primeiro século. Essa palavra no original é “Christianos”; que significa, “aqueles que seguem a Cristo”. Posteriormente surgiu o Cristianismo.

Veja, eles já eram discípulos, mas receberam um nome de acordo com a sua maneira de viver – Eles seguiam a Cristo. Isso nos mostra que, segundo a Bíblia, ser cristão é ser discípulo de Cristo.

Hoje, infelizmente essa palavra perdeu o sentido, porque dizer que é cristão, não significa ser de fato alguém comprometido como discípulo de Cristo. É o que nos mostra uma pesquisa feita em diversas igrejas americanas.

No seu livro “Transformando crianças em campeões”, George Barna divulga uma pesquisa realizada com dois objetivos. O primeiro para avaliar a idade em que as pessoas se convertem a Cristo.

Descobriram que a probabilidade de alguém aceitar a Jesus é de 32% dos cinco aos doze anos; 4% dos treze aos dezoito anos; 6% após os dezenove anos. Em outras palavras, se as pessoas não aceitarem a Jesus Cristo como Salvador até a adolescência, a chance de virem a fazê-lo é mínima.

Dentro desta mesma pesquisa, um segundo aspecto foi avaliado; quantos dos entrevistados que já se consideravam cristãos, viviam de acordo com Bíblia. Veja que interessante o resultado: a cada dez jovens entrevistados, nove se consideravam cristãos. No entanto, para grande parte deles ser cristão não significa ter um relacionamento pessoal com Jesus. Apenas 35% afirmaram ser completamente comprometidos com a fé cristã. A maioria 54% se considerava levemente comprometida e 10% negam qualquer comprometimento com o Cristianismo.

A conclusão é que dentre aqueles que se consideram cristãos, existem os cristãos nominais, os cristãos convertidos, os evangélicos e até agnósticos. Isso mostra que a grande maioria dos cristãos professos não é convertida e muito menos tem compromisso com a pessoa de Jesus.

Hoje, ser cristão não significa o mesmo que no primeiro século. Embora o significado da palavra cristão não tenha mudado, a realidade dentro do Cristianismo mudou muito.

A terminologia pode ter perdido o sentido aqui, mas não podemos permitir que ela se perca em relação ao “discipulado”. A tendência é enxergar o discipulado apenas como uma estrutura, uma forma de nos organizarmos em grupos para facilitar o trabalho na igreja.

Aqueles que enxergam dessa maneira mudam de um grupo de discípulo para outro, sem considerar as pessoas envolvidas. Corre- mos o mesmo risco da pesquisa acima; considerarmo-nos discípulos, sem nem mesmo termos compromisso com Jesus.

É preciso compreender que “discipular” é formar discípulos de Cristo. Precisamos parar e nos perguntar: estamos formando discípulos ou estamos apenas andando em círculos?

Nosso discipulado tem um propósito – Formar Cristo. Formar Cristo começa com formar a mente de Cristo. A Bíblia é a mente de Cristo. Ter a mente de Cristo é pensar como Cristo, isto significa pensar como a Bíblia pensa.

Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir?

Nós, porém, temos a mente de Cristo (1Co 2.16).


  • Tipos de discípulos

Vamos considerar dois tipos de discípulos que precisam mu- dar sua mentalidade. O primeiro são os novos na fé. São aqueles que estão começando na sua vida cristã e alguns estão também começando na sua liderança.

Na nossa igreja uma pessoa pode começar a liderar a partir de um ano de conversão. Nesse tempo é possível se batizar, fazer o Cursão (Curso de Maturidade Espiritual), que dura seis meses, de- pois, o CTL (Curso de Treinamento de Líderes), mais seis meses, e ser ao mesmo tempo treinado como líder em uma célula. Se for aprovado pelo líder, a pessoa pode vir a liderar uma célula no prazo de um a dois anos. Embora nesse pequeno tempo ela já seja um líder, temos que considerar que ela ainda é nova na fé.

Temos também um segundo tipo de discípulos, que são aqueles que já têm mais tempo de conversão, mas que estão começando ou desenvolvendo a sua liderança.

Ambos são discípulos e precisam renovar a sua mente com a Palavra de Deus. Alguns com coisas elementares da vida cristã, outros com coisas mais profundas, mas que estão ainda guardadas e que definem seu padrão de vida cristã. Veja o que Paulo fala sobre isso:

 

  1. Aos novos na fé

Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei ali- mento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. (1Co 3.1,2)

Os novos na fé ainda são carnais, porque sua mente ainda é mundana, egoísta e infantil. Por exemplo, alguns não compreendem e não gostam de prestar contas ao líder de sua vida de oração, e às vezes ficam emburrados se forem confrontados.

 

  1. Aos mais velhos

A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hb 5.11-14)

Paulo fala de dois tipos de crentes que precisam de leite, ou seja, de aprender princípios elementares da fé cristã; são eles: os novos na fé e os crentes mais antigos, mas que ainda não aprenderam.

Há uma mudança de mentalidade que precisa acontecer no início da vida cristã. Ela diz respeito a vencer práticas pecaminosas, como por exemplo: vencer os vícios de cigarros, bebidas, práticas sexuais erradas etc. Mas, por outro lado, há também uma mudança de men- talidade que deve acontecer no início da liderança. O líder precisa passar a se ver como um provedor e não mais como um consumidor.

Por exemplo, antes de liderar, ele recebia tudo pronto, alguém ligava pra ele no dia da reunião, ele era avisado dos eventos da igreja, dos jejuns etc. Agora como líder, ele precisa tomar iniciativas e mobilizar outros da mesma maneira. Como líder, ele precisa vencer o comodismo e se dispor a conviver com os irmãos, a se envolver com os problemas e ajudá-los a resolvê-los.

Se ele não é um discípulo, ele vai achar tudo muito difícil, e facilmente irá abandonar sua liderança.

Mas, aqueles que mudaram a sua mentalidade e pensam de fato como discípulos, mesmo encontrando dificuldades, vão responder, porque entendem o propósito do que estão fazendo. Portanto, liderança começa na mente.

Procure aplicar os princípios desse capítulo a sua realidade espiritual. Nosso alvo é que todos tenham a mente de Cristo e ajudem outros a terem também.

O discipulado dos novos convertidos

O discipulado é como a criação de filhos, deve-se considerar a idade dos filhos, ou seja, o tempo de conversão da pessoa. Por exemplo; mesmo que uma mãe ensine boas maneiras a todos os filhos, dificilmente um filho de cinco anos vai comer com garfo e faca tão bem como um filho de quinze.

O mesmo acontece no discipulado, é preciso considerar o tem- po certo para certas coisas. Não adianta tentar mudar o exterior das pessoas se a sua mente continua da mesma forma. Mude a sua mente e o comportamento mudará também.

Podemos observar isso no nosso Encontro com Deus. No mo- mento da cruz, é costume depois de fazer a oração de confissão, as pessoas colocarem na cruz de madeira suas fichas de confissões de pecados, como símbolo de sua entrega a Jesus. Algumas pessoas vão além, e jogam objetos que simbolizam práticas erradas, como: drogas, cigarros, terços etc. Certa vez, uma mulher, mesmo depois de confessar a Jesus, continuou fazendo o sinal da cruz, toda vez que passava perto da cruz. Por que ela agia assim? Porque os hábitos são mais difíceis de serem abandonados do que os objetos. Hábitos mudam à medida que mudam os pensamentos.

O novo convertido deve ser discipulado na célula pelo seu líder, através do ensino da Palavra de Deus e também através do relacionamento com os irmãos.

  • Começando com coisas relevantes

É interessante observarmos no discipulado de Jesus, que ele não começou falando para os discípulos aquilo que eles tinham que mudar nas suas vidas. Ele ensinou a respeito do reino de Deus, e o seu ensino foi moldando as suas vidas.

Precisamos desse modelo de discipulado, onde o ensino é fruto de amor pelos discípulos. Volto a repetir, é como os filhos, muitas vezes os filhos são tão carentes que mudam o comportamento para agradar os pais, porque amam os pais, eles são capazes de abrir mão de coisas, por amor. Alguns discípulos mudam porque amam os seus líderes. Foram tão conquistados por eles que abandonam outras coisas por causa do discipulado.

Lembro-me quando cheguei à igreja, eu fui conduzida a um grupo de discipulado. E logo, algumas moças implicaram com as minhas roupas e certo dia uma delas perguntou: quando é que você vai mudar essa sua maneira de se vestir? Até aquele momento eu não sabia que minhas roupas estavam incomodando, mas depois disso, percebi claramente. Eu estava tão apaixonada por Jesus, que não tive nenhum problema em fazer isso, mas acabei me sentindo deslocada no grupo. Veja, esse tipo de abordagem não é a melhor com ninguém, muito menos com um novo discípulo.

Naquela época eu precisava de tantas curas na minha alma, que as minhas roupas eram o que menos importava. Certamente ser amada e aceita me ajudaria muito mais no meu crescimento espiritual.

Quantas vezes a imaturidade de alguns líderes, atrapalha em vez de contribuir para que o discipulado aconteça apropriadamente. Por isso, é importante que a mudança comece pelo ensino e não pelo exterior da pessoa.

O discipulado de líderes

Líderes também são discípulos. A mudança de mentalidade precisa começar na própria liderança e se estender para todo o discipulado. Líderes que têm uma mentalidade de escravo e não de vencedor impedem que outros cresçam também. Porque a sua mentalidade irá refletir diretamente nas suas atitudes e escolhas.

O líder que lidera com uma mente natural age de maneira natural e influencia os membros a agir da mesma maneira. Por exemplo: se um líder acha que basta realizar a reunião com os irmãos uma vez

por semana, ele não vai valorizar as visitas e nem o discipulado com o seu pastor. O foco dele é apenas a reunião da célula.

Por outro lado, os membros vão perceber essa atitude nele e não serão desafiados a liderar. Qual será a atitude dos membros? Bem, se um membro da célula pensa que liderar não faz parte dos planos de Deus para ele, ele não responderá ao discipulado na célula.

Isso nos leva a concluir que:

 

  1. Os líderes influenciam com a mentalidade que têm Por isso, vamos considerar a mudança de mentalidade, como um fator de crescimento importante na vida de todos que querem

ser discípulos de Cristo. Isso inclui os membros e toda a liderança. Vamos usar o exemplo de um líder que se destacou no meio de outros líderes de sua época: Calebe.

Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar a terra que espiou, e a sua descendência a possuirá. (Nm 14.24)

O termo que a Bíblia usa “outro espírito” está associado à mente e à emoção. Refere-se a uma atitude, ou uma mentalidade em relação às coisas espirituais. Uma mentalidade errada leva a uma atitude errada.

No texto acima, embora o povo hebreu já tivesse sido liberto da escravidão do Egito, alguns ainda tinham uma mentalidade de escravos. Calebe e Josué se distinguiam dos demais líderes de sua época porque eles tinham outra mentalidade, uma mentalidade de vencedor. Eles pensavam como vencedores, e agiam como vence- dores, os outros líderes, pensavam como escravos e agiam como derrotados. A Bíblia diz que: Porque, como imagina em sua alma, assim ele é (Pv 23.7).

Temos aqui dois tipos de líderes; os que crêem na Palavra de Deus e os que se conformam com o mundo.

O povo se deixou levar pelo tipo de mentalidade que eles se identificaram, uma mentalidade mundana. Mas, o que caracteriza uma mente mundana? O espírito que está por traz dela – Um espírito maligno.

 

A mente mundana versus a mente de Deus

O mundo tem sua própria mentalidade, mas o reino de Deus tem outra. A Bíblia diz que o mundo jaz no maligno, portanto existe um espírito maligno que atua no mundo. Ele atua na mente das pessoas, formando um padrão de pensamento. Esse padrão está presente no humanismo.

O humanismo é uma filosofia, uma maneira de pensar própria do mundo. Não é uma religião ou um movimento, é uma mentalidade que define os padrões de comportamento das pessoas. Ele não se preocupa em provar se Deus existe ou não, ele apenas acha que isso não faz diferença. O ateísmo nega a existência de Deus, mas o humanismo apenas o ignora.

Como o humanismo se define através de sua mentalidade, ele se esconde muitas vezes dentro da igreja. Embora salvos, muitos crentes ainda tem uma mente natural e mundana. Isso é muito perigoso, pois, uma coisa é estar no mundo, outra é quando o mun- do está dentro de nós. Por aqueles que estão no mundo podemos orar e clamar a Deus, mas quando o mundo está dentro da pessoa, quem perceberá?

Deus considerou a igreja de Laodicéia morna, porque era mundana. Ele disse que é melhor ser frio do que morno. Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca (Ap 3.15,16).

Humanismo versus Cristianismo

O humanismo não é uma religião, o cristianismo também não. Ambos colocam uma pessoa no centro, a questão é quem é essa

pessoa? O humanismo coloca o homem no centro, mas o cristianismo coloca Cristo.

Tudo é uma questão de saber quem ocupa o centro. Na vida de qualquer pessoa o centro é de quem governa. Ou Deus governa a sua vida ou o seu ego governa. O governo será daquele que você decidir.

O alvo do nosso discipulado é que Cristo ocupe o centro da vida de nossos discípulos. Só assim, eles serão verdadeiros discípulos de Cristo. Jesus jamais nos mandou fazer nossos próprios discípulos, mas discípulos dele. Porque é a ele quem deve seguir e obedecer.

Infelizmente, por causa de uma mentalidade mundana, muitos dentro da igreja ainda não são de fato discípulos. Para alertá-lo quanto a isso, quero mencionar quatro correntes de pensamento humanista que ainda influenciam as pessoas na sua vida cristã.


  • A mente secularista

O secularismo é percebido através da religiosidade. É comum usarmos o termo trabalho secular para separar do trabalho religioso. A palavra secular vem de secularismo.

O secularismo é uma corrente do humanismo, que separa a vida da pessoa em departamentos e coloca Deus no departamento da religião. Na igreja podemos perceber essa mentalidade na atitude de alguns que embora tenham o nome de cristãos, não são de fato discípulos de Jesus.

Por não entender o senhorio de Deus, a mente secularista separa áreas da vida do homem, que Deus pode agir e outras não. Na vida de muitos crentes, existem áreas que Deus não governa. Por exemplo, a área financeira. Muitos discordam do dízimo e de ofertas. Pensam que podem decidir o que fazer com o seu dinheiro e que Deus não se importa. Isso não condiz com a Palavra.

A Bíblia diz que tudo é de Deus, não existe nenhuma área da sua vida que Deus não pode entrar ou ser Senhor. Deus é Senhor do seu dinheiro, do seu tempo, dos seus planos, do seu casamento, de seus filhos, do seu futuro e tudo que diz respeito a você, porque Ele te comprou. Ele não comprou uma parte de você. Ele

te comprou por inteiro. Reconhecer isso faz parte do processo de mudança de mentalidade.

A mente secularista se opõe ao princípio de consagração – O secular serve a Deus pelas metades. O consagrado entrega-se completamente a Ele.

Alguns consagram o tempo, mas não consagram o dinheiro, outros consagram os filhos, mas não consagram o relacionamento conjugal, alguns consagram os domingos, mas não consagram os outros seis dias da semana. Isso não é consagração. Isso é hipocrisia. Jesus chamou os fariseus de hipócritas porque eles eram religiosos.

A vida cristã não é mudar de religião é ter Cristo como Salvador e Senhor de sua vida. Deus não faz nada pelas metades. Ninguém é salvo pelas metades, se Deus nos salvou completamente é porque já pertencemos a Ele completamente.

Ou alguém é totalmente consagrado ou não é. Reconhecer isso é uma questão de revelação e de renovação da mente.

  • A mente racional

O racionalismo é outra corrente de pensamento mundana. O racional é aquele que anda pela mente natural, pela sua própria razão.

  1. Andar pela razão é o oposto de andar em revelação

Segundo a Bíblia, a mente não deve governar. Mas o racional é aquela pessoa governada pela sua mente, o contrário do espiritual, que é governado pelo espírito.

Uma liderança espiritual é guiada pelo Espírito de Deus e não pela mente humana. Não significa que temos que anular a mente, não é isso. A mente do homem foi dada por Deus e ela tem um papel importante na vida cristã. Através de uma mente renovada a liderança é mais eficaz, pois, ela é capaz de explicar melhor a mente de Deus, que a Palavra de Deus.

Mas, os que são governados pela mente natural, são ineficazes na sua liderança, porque o homem natural não entende as coisas do espírito, porque elas se discernem espiritualmente (1Co 2.14).

 

  1. Como é o crente racional?

🞼 Ele acha os padrões do mundo normais

Assim como devemos resistir à carne e seguir ao espírito, de- vemos também resistir à velha maneira de pensar e moldar nossos pensamentos com o que a Bíblia diz. Por exemplo, nos relacionamentos. O mundo tem um padrão de relacionamento para os jovens, a igreja tem outro.

A visão da corte, que ensinamos na igreja é um relacionamento santo debaixo de uma cobertura espiritual e da benção dos pais e pastores. Mas, alguns jovens por não concordarem, preferem o padrão do mundo, às vezes isentando-se apenas do sexo. Santidade é muito mais do que abster-se de sexo antes do casamento. Santidade começa na mente. Aceitando a Palavra de Deus como autoridade na sua vida.

Alguns aceitam os padrões do mundo como algo inofen- sivo. Mas, veja: se você colocar uma rã em uma panela de água quente, qual será a reação dela? Ela vai pular. Mas, se você colocá-la em uma panela com água fria e for aumentando o fogo aos poucos, ela morrerá cozida. O mesmo acontece com aqueles que acham os padrões do mundo normais. Aos poucos vão cedendo a carne e perdendo a sensibilidade a Deus.

A mente do homem espiritual é alimentada pela Palavra e sus- tentada pelo espírito. Mas, a mente do homem natural é alimenta- da pelos padrões do mundo e sustentada pela carne.

A Bíblia chama o crente natural de infiel:

Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. (Tg 4.4)

🞼 É cheio de opiniões próprias

O crente racional é governado pelas emoções, por isso ele é cheio de opiniões, como: eu acho, eu sinto, eu quero. Sempre o “eu” vem primeiro. Porque tudo gira em torna de sentimentos e não de revelação.

Certa vez um líder de célula de adulto foi convidado para servir em um Encontro de crianças. Ele disse ao pastor que iria voltar para dormir em casa. Quando o pastor perguntou por que ele teria que fazer isso, ele respondeu: porque eu quero dormir na minha cama. Ele, então, teve que escolher entre dormir com as crianças ou dormir na sua cama. Ele escolheu a sua cama.

Esse líder não achava necessário dormir junto com as crianças, mas o pastor sim. Prevaleceu a opinião do líder, ou seja, a sua mente natural e insubmissa.

Devemos sim, seguir a intuição do nosso espírito e deixar que ele julgue entre o certo e o errado, entre a vontade de Deus e a nossa. Tenha cuidado: qualquer opinião que se centralize no ego, não procede de Deus.

A Bíblia diz:

Bem-aventurado o homem que não anda no conseho dos ímpios. (Sl 1.1)

Tu Senhor, me guias com o teu conselho. (Sl 73.24)

🞼 Acha as coisas espirituais exageradas

O crente com a mente natural não entende as coisas espirituais. Ele não entende; porque demoramos tanto no louvor, pra que orar em línguas se ninguém entende, pra que orar alto se Deus não é surdo. São coisas assim, que o incomoda. Mas ele demonstra pouco incômodo com as obras do diabo.

Esse tipo de atitude gera insensibilidade as coisas espirituais. Ele já não percebe mais quando Deus está agindo no meio da igreja, porque ele enxerga tudo com os olhos naturais. Ele julga os irmãos pela aparência deles. Mas, o pior é que ele mesmo perde a benção de desfrutar da presença de Deus.

Todas as coisas são puras para os puros. (Tt 1.15)

🞼 Tem a mentalidade fast food

É aquela mentalidade de achar que os resultados são espontâneos. Se Deus tiver que salvar alguém, Ele vai salvar, não precisa do meu jejum.

Resultados, como a conversão de almas e outros, são frutos de planejamento e trabalho – Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.14).

Certa vez um educador cristão, ficou surpreso ao nos ouvir dizendo o alvo de crescimento da nossa escola. Ele perguntou: mas, vocês têm alvos até de matrículas? Sim. Vencedores planejam os seus resultados, ainda que seja através de alvos de oração.

O racionalismo gera na pessoa uma indiferença a obra de Deus. Ela pensa: Ah, não vou liderar célula, Deus não está interessado no meu trabalho e sim no meu coração. Isso é um engano. Deus está interessado em tudo. Jesus disse em Mateus 10.30, que até os fios de cabelo da sua cabeça estão contados.

Se Deus conta os fios de cabelo, certamente ele contará as suas obras também.

  • A mente materialista

O materialismo não é caracterizado pela posse de bens e sim pelo coração neles. O materialista às vezes não tem muitos bens, mas o seu coração é cheio do desejo de possuí-los. O mundo vive debaixo de um espírito materialista.

Podemos definir essa mente materialista de três maneiras diferentes. Primeiro, é aquele desejo exagerado de possuir cada vez mais bens materiais. É ter além do que precisa, apenas por vaidade. Cremos na prosperidade dos filhos de Deus, mas precisamos saber diferenciar de luxo. A prosperidade é usar os bens que Deus te deu. O luxo é o exagero, é o desperdício.

Segundo, o materialista coloca a sua confiança nos bens que possui e não em Deus. Isso é pecado. Pois, revela incredulidade. A incredulidade nesse caso é a atitude de não crer que Deus pode supri-lo, isso significa não crer na Palavra de Deus. Ser incrédulo é falar o contrário do que Deus fala.

E terceiro, ser materialista é colocar o dinheiro como prioridade, acima do seu sacerdócio. Aqueles que são muito preocupados em ganhar dinheiro não têm tempo para exercer o seu sacerdócio na igreja. Sua atitude é de descompromisso, não assumem nenhuma responsabilidade na obra de Deus. A Bíblia nos orienta a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e as outras coisas serão acrescentadas.

John Wesley falava sobre a “economia do reino”. Certa vez alguém perguntou a ele o que ele pensava sobre ganhar dinheiro. Ele respondeu: eu tenho três princípios os quais chamo de economias do reino. O primeiro é: “Ganhem tudo o que puderem”. É difícil saber a diferença entre o dinheiro e o amor a ele. O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, mas não o próprio dinheiro. Porem é importante a maneira como você ganha o seu dinheiro. Não devemos ganhá-lo de forma ilícita, ou que prejudique alguém ou que fira a nossa saúde, ou de maneira pecaminosa, que desonre a Deus. Segundo principio: “Economizem tudo o que puderem.”. Não gastem o seu dinheiro com algo desnecessário. Alguns acham que devem ganhar tudo o que puder para gastar em tudo o que quiser, mas isso não é verdade. Você deve ganhar tudo o que puder para cumprir o terceiro princípio: “Dêem tudo o que puder”. Tudo o que temos pertence a Deus. Após darmos o melhor para nossa família, devemos ser pródigos em dar a nossa família cristã.

John Wesley não apenas ensinava os princípios da economia do reino. Ele os vivia. Quando era rapaz, ele ganhava trinta libras (moeda inglesa) e vivia com 28 libras, as duas ele dava como oferta. Depois, ele passou a ganhar sessenta libras, mas continuou a viver com 28 libras e dava 32 de oferta. Mais tarde ele passou a receber 120 libras por ano e ainda vivia com 28 libras e dava 92.

Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda ge-

 

nerosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. (2Co 9.10,11).

Deus tem a prosperidade para todos os seus filhos. Mas, não de- vemos fazer dela nossa prioridade. A Bíblia diz que devemos pensar nas coisas do alto e não nas que são daqui da terra. Com certeza, as coisas do alto são aquelas pelas quais Jesus deu a sua vida – São pessoas.

  • A mente hedonista

O hedonismo é a busca do prazer. O prazer não é errado, mas colocá-lo como prioridade na sua vida sim.

  1. O hedonismo se opõe à vida de cruz

Vida de cruz não é ascetismo, ou seja, abster-se do prazer, como alguma penitência. Vida de cruz é escolher a vontade de Deus. O que é cruz para uma pessoa pode não ser para outra. É um estilo de vida consagrada.

É o preço que Jesus colocou para ser seu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo (Lc 14.27).

Ao contrário da vida de cruz, a mentalidade hedonista leva a uma atitude de autopreservação. A pessoa se poupa o tempo todo. Não tem disposição em se desgastar no trabalho de Deus. Ou quando tem, é tudo medido, seu tempo, seu dinheiro, seus planos etc.

A sua característica marcante é o comodismo. Ele faz a obra de Deus, mas primeiro vem o seu lazer, o seu descanso, sua agenda etc. Sua mente natural não entende que ser discípulo é seguir a Jesus, e quem decide a direção é quem vai à frente e não quem segue. Por não entender isso, ele não é discípulo.

Como lidar com pessoas assim? Ensinando que só há uma maneira de crescer, tem que negar a si mesmo. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á (Mc 8.35).

Perder a vida é abrir mão do prazer em favor da obra de Deus. O prazer continua existindo, mas ele não governa a sua vida, ele não pode ter a prioridade, ele não pode vir antes da vontade de Deus.

Discipular é usar a autoridade espiritual para formar discípulos

No discipulado temos que enfrentar todos esses tipos de pensamentos que aprisionam a mente de irmãos. Paulo diz em 2Coríntios 10.4, que podemos destruir fortalezas, e anular sofismas. Sofismas são pensamentos que resistem a Deus.

Sobre isso Paulo também nos orienta a como usar a nossa autoridade espiritual:

Portanto, escrevo estas coisas, estando ausente, para que, estando presente, não venha a usar de rigor segundo a autoridade que o Senhor me conferiu para edificação e não para destruir. (2Co 13.10)

Todos aqueles que discipulam estão investidos de autoridade. Essa autoridade tem um propósito, formar discípulos de Jesus. Alguns falam de discipulado referindo-se apenas a uma estrutura, mas não compreendem o que significa isso. Mas, isso não os isenta da responsabilidade.

A autoridade que Deus nos concede para gerar filhos espirituais nos faz responsáveis diante de Deus. Temos uma responsabilidade de fazer discípulos na nossa geração, ensinando-os a guardar e a praticar a Palavra. Portanto, essa autoridade deve ser usada para ensinar corretamente a Palavra de Deus, pois, o discipulado é um tempo de ensino.

Autoridade se delega, mas responsabilidade não

Podemos delegar autoridade para pregar, para expulsar demônios, para batizar, para ensinar etc. Mas, a responsabilidade pelos resultados é daquele que delegou.

O discipulador não pode se responsabilizar pelas respostas que o seu discípulo dá a Deus, mas ele é responsável pelo o que ele mesmo faz com o seu discipulado. Por não entender isso, muitos apresentam muitas desculpas pela falta de resultado: ah. Eu tentei levantar um líder, mas não consegui.

Entenda algo: todos são responsáveis pelos resultados que alcançam. Josué e Calebe se destacaram na sua geração no meio de lideres incrédulos. Por quê? Porque decidiram enfrentar os desafios e buscar os resultados. Qual o resultado que eles tiveram? Eles herdaram uma herança na terra de Canaã, enquanto que os outros morreram sem herança no deserto.

Discipular fala de conquista. Isso nos fala de alcançar resultados. Cada discípulo que você forma, é uma conquista. Não se preocupe com aqueles que não responderem, até mesmo Jesus perdeu um de seus discípulos.

Algumas pessoas encaram o discipulado de uma maneira descomprometida, sem se preocupar de fato com o crescimento do discípulo. Isso não é discipulado de verdade. É apenas um acompanhamento informal. O discipulado exige compromisso de ambos os lados e principalmente com a pessoa de Jesus.

Líderes, discipuladores e pastores estão investidos de autoridade com esse propósito, fazer discípulos. Por isso, devem ser os primeiros a assumir uma mentalidade de discípulos. Do contrário, que tipo de discípulos iremos gerar?

Assim como, tinham líderes no meio do povo de Deus que preferiram o Egito a conquistar Canaã, é possível ter em nosso meio líderes com uma mentalidade mundana. Que lideram sem propósito, apenas religiosos, mais preocupados com seus interesses pessoais do que com o reino de Deus e indiferentes ao propósito do discipulado.

Há uma guerra sendo travada dentro da igreja pelo senhorio da mente das pessoas. O diabo sabe que não tem o coração, mas ele tenta aprisionar a mente, impedindo que sejam vencedores.

Quando você permite que esses padrões de pensamento definam sua maneira de viver ou de liderar, você abre brechas para o inimigo. É como num jogo de tênis; às vezes o inimigo não marca ponto, mas ele tem a vantagem. Quando isso acontece é mais difícil vencê-lo. Num jogo de tênis, depois, que o adversário tem a vantagem, se ele marcar ponto de novo, ele pode ganhar a partida.

Nosso desafio é formar a mente de discípulo. Isso começa ensinando-os a vencer o mundo. Vencer o mundo é vencer a sua mentalidade.

Certa vez um jovem ao final de uma palavra procurou o prega- dor e disse: eu até queria entregar a minha vida a Jesus, mas ele pede muito. O pregador olhou para ele e disse: meu jovem, você não entendeu nada, Jesus não pede muito, ele pede tudo.

Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. (Gl 6.14)

Você é um discípulo de Cristo? O mundo está crucificado para você? Ou ele ainda governa você?