Sinais de um mover genuíno

Sinais de um mover genuíno

Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mun­do inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? (Mt 16.24-26)

O chamado de Deus não é para que nós edi­fiquemos a igreja da maneira que achamos me­lhor ou mais interessante, da maneira que nós gostamos ou no tempo que temos. O chamado de Jesus para nós, como lemos nos versículos acima, é uma entrega absoluta e total através da cruz no caminhar com Deus, um abrir mão de sermos algo para que Ele seja tudo.

Muitos estão “servindo” a Deus hoje, mas não estão fazendo a obra genuína de Deus, pois se Jesus não é o centro do que fazemos, então não é obra de Deus. A verdadeira obra precisa ter Jesus no centro. Se tudo que fi­zermos no fim não voltar para Ele, se não colocá-lo no centro, se a glória não for d’Ele ou não for para Ele, se Jesus não for entronizado, então não é obra de Deus, não é obra genuína e estaremos perdendo o nosso tempo, nossa única oportunidade de vivermos para Deus, nossa única chance.

Devemos ter muito temor disso. É como a parábola do bolo de chocolate: você passa a vida toda preparando o melhor bolo de cho­colate do mundo para Deus, com a melhor das boas intenções, para chegar diante d’Ele no dia em que prestaremos conta e descobrir que Deus não gosta de bolo de chocolate. Não adianta nada vivermos uma vida inteira para Deus, preparando algo que nós achávamos que Ele gosta, que era obra de Deus, para descobrir naquele dia que não era nada daquilo que Ele queria que fizéssemos.

Nem Deus nem o inferno se impressionam com boa vontade. Não é esse o caso. É uma questão de fazer aquilo que está no coração d’Ele, que põe o Senhor no centro, do contrá­rio, é perda de tempo, apenas religião; não é mover genuíno de um Deus genuíno e não tem valor diante d’Ele.

Antes de Jesus dizer esse versículo, Ele viveu isso. O chamado que Ele nos faz de to­mar a nossa cruz e perder a nossa vida para ganhá-la naquele dia, para ser discípulo d’Ele, ou seja, para viver uma vida que o centraliza, foi o mesmo chamado que Ele viveu na Terra nos seus 33 anos diante do Pai.  

Quando Jesus diz: “Se você quiser ser meu discípulo, você precisa negar a si mesmo, per­der a sua vida, para achá-la naquele dia”, está dizendo, em outras palavras: “Se você quiser andar comigo, esqueça você e me colo­que no centro da sua vida”. Nenhum homem natural pode dizer isso, mas, porque Jesus era e é Deus, Ele pode e disse. Em primeiro lugar, porque Ele é Deus, e em segundo lugar, por­que Jesus viveu essa realidade. Ele esteve aqui como homem e viveu todo o tempo em função do Pai, edificando uma obra que centralizava o Pai, assim como a nossa deve centralizar.

Observe quantas vezes Jesus usa as palavras “não” e “nada” para se referir a si mesmo:

Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. (Jo 5.30)

Eu não aceito glória que vem dos ho­mens. (Jo 5.41)

Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. (Jo 6.38)

Respondeu-lhes Jesus: O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou. (       )

Jesus, pois, enquanto ensinava no tem­plo, clamou, dizendo: Vós não somen­te me conheceis, mas também sabeis donde eu sou; e não vim porque eu, de mim mesmo, o quisesse, mas aquele que me enviou é verdadeiro, aquele a quem vós não conheceis. (Jo 7.16,28)

Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue. (Jo 8.42,50)

Quem não me ama não guarda as mi­nhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou. (Jo 14.24)

Nada que Jesus fez estava baseado em si mesmo. Ele “não era nada”, para que o Pai fosse tudo. Ele renunciou a si mesmo, sua vontade, totalmente, com toda a sua força, para que o Pai pudesse trabalhar n’Ele e através d’Ele. Jesus descobriu que essa vida absoluta na dependência da vontade do Pai era uma vida que traria perfeita paz e alegria.

Você sabe qual é a maldição da nossa ge­ração? São homens e mulheres que querem servir a dois senhores, são pessoas que não são inteiras em tudo que fazem. Elas não são absolutas em nada, não são absolutas no tra­balho, na escola, com os filhos, no casamento, e quando se convertem, trazem essa maldição para sua vida cristã, não são absolutas para Deus. Contudo, para Deus, ou é tudo ou nada; ou você ajunta, ou você espalha; ou você é por Ele, ou é contra Ele. Não há neutralidade quando se trata de relacionamento com Deus. Ele não brinca de passar tempo conosco. Ou nos relacionamos para valer, ou não há de fato relacionamento. Foi Jesus quem disse: “Seja quente ou seja frio, porque se você for morno, vou vomitá-lo” (Ap 3.16). Não existe vida cristã em cima do muro.

A história a seguir ilustra bem essa afirmação. Havia um homem que estava em cima do muro: de um lado, estavam os anjos, e do outro, os demônios. Os anjos gritavam, pedindo àquele homem que descesse do muro e passasse para o lado da luz, mas os demônios não gritavam nada, havia um perfeito silêncio. Aquele homem, incomo­dado e curioso, perguntou aos demônios por que eles não gritavam como os anjos para que ele pudesse ir para o lado deles. Então, um deles respondeu: “Porque quem está em cima do muro já está do nosso lado”.

Ou você é por Deus ou você é contra Deus. Jesus viveu essa vida absoluta e Ele nos chama para dedicarmos a nossa vida ao Pai.