Substituto Perfeito

Substituto Perfeito

Para que a salvação fosse perfeita, ela deveria cumprir algumas condições. O salvador teria
que ser alguém escolhido por Deus, capaz de agir como um substituto e levar sobre si a ira
acumulada de Deus por todo pecado cometido.

1. Uma terceira pessoa não pode intervir


A Bíblia diz que Deus amou o mundo de tal maneira que nos deu Seu Filho (Jo 3.16).
Deus enviou Seu Filho porque nos amou. Nunca considere o Senhor Jesus como uma terceira
pessoa vinda para sofrer uma morte substituta. Não pense que Deus é um partido, nós, outro e
o Senhor Jesus, o terceiro partido. A Bíblia nunca considera o Senhor Jesus como um terceiro
partido. Pelo contrário, ela o considera como a primeira parte.
Alguns usam uma ilustração dizendo que o evangelho é como um devedor, um credor e o
filho do credor. O devedor não tem dinheiro para quitar seu débito. O credor, sendo muito
severo, insiste no pagamento. Mas o filho do credor se prontifica a pagar o débito em lugar do
devedor e o devedor fica livre.
Esse é o evangelho que o homem prega hoje. Mas não é o verdadeiro evangelho. Se fosse,
pelo menos dois pontos não seriam corretos e seriam contrários à Bíblia. Primeiro, esse tipo de

entendimento mostra Deus como o malvado, e o Senhor Jesus como o bondoso. Em tal ilustração não vemos Deus amando o mundo. Antes, vemos apenas Sua justa exigência e a exigência da lei. Vemos um Deus severo. Alguém sem graça e cujas palavras para o homem são sempre
ásperas. Vemos que é o Senhor Jesus quem nos ama e nos dá graça. Esse é um evangelho errado.
Apenas duas pessoas no mundo têm o direito de tratar com o problema do pecado: a pessoa
que pecou e aquela contra quem se pecou. O pecador é a primeira pessoa e Deus é a outra.
Uma terceira pessoa não tem autoridade ou direito de intervir. Se uma terceira pessoa intervier,
é injustiça. Somente quando a parte contra quem se pecou está disposta a sofrer a perda, é que
o problema pode ser solucionado.
A obra redentora de Cristo é o próprio Deus vindo para levar o pecado do homem cometido
contra Si. Deus se tornou homem! Se a redenção tem de ser justa, Jesus de Nazaré deve ser Deus.

2. Era necessário que fosse um ser humano

Como foram os seres humanos que pecaram e incorreram na penalidade da morte física e espiritual, outro ser humano teria de ser o substituto permanente e final oferecido por Deus ao homem.

Teria que nascer neste mundo como qualquer outro homem. Teria de viver e morrer como todos.

Quase trezentas profecias a respeito do Messias encontram seu cumprimento literal no nas-
cimento, vida e morte de Jesus de Nazaré. Jesus era o próprio Deus tornando-se homem.

Escrevendo sobre a origem de Jesus, o apóstolo João dá a Ele um nome peculiar, “O Verbo”.
Ele afirma que o verbo existia antes do princípio de todas as coisas. Ele existia e vivia face a face
com Deus, sendo, de fato, Deus (Jo 1.1). “ E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de
graça e de verdade, e vimos a sua glória como do Unigênito do Pai” (Jo 1.14).
A expressão “união hipostática” é um termo teológico que descreve a dupla natureza de Jesus.
Eis o seu significado: na pessoa de Jesus Cristo havia duas naturezas – a completa divindade e
a perfeita humanidade. Essas duas naturezas nunca se confundem, quer em essência, quer em
função. Jesus assumiu essa dupla natureza desde o dia em que nasceu na manjedoura em Belém
e a possuirá por toda a eternidade. Algumas vezes, Jesus fez menção de sua divindade, como
quando disse: “Eu e o Pai somos um (em essência)” (Jo 10.30). Mas, na maioria das vezes, Ele
falava do ponto de vista de Sua humanidade: “Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para
o Pai, pois o Pai é maior do que eu” (Jo 14.28).
Em sua humanidade, Jesus é sujeito ao Pai, pois o Pai é maior que a Sua humanidade. Mas,
em Sua divindade, Jesus é igual ao Pai, porque é um com o Pai em essência. Jesus era chamado de
“Filho do Homem” como também de “Filho de Deus”. Deus era o pai da humanidade de Jesus.
Razões pelas quais ele tinha que ser homem:

A. Para ser o Salvador dos homens

Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais
os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em
vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. (Rm 5.17)

B. Para ser mediador

Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens,
Cristo Jesus, homem. (1Tm 2.5)

C. Para ser sacerdote

Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para

sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar

totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. (Hb 7.23)

D. Para revelar Deus aos homens

Quem me vê a mim vê o Pai… (Jo 14.9)

E. Para ocupar o trono de Davi

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus

Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino,
para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora
e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto. (Is 9.6-7).

F. Para ser resgatador

Quando teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu

seu irmão. E se alguém não tiver resgatador, porém conseguir o suficiente para o seu resgate,.então contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem a vendeu, e tornará à sua
possessão. (Lv 25.25-27).

Obs.: Na lei de Moisés, quando um israelita se tornava escravo, somente um parente poderia
pagar o resgate para libertá-lo. Ao assumir a humanidade, Jesus se tornou parente dos homens,

capacitado a servir como “resgatador”. Essa é uma das razões pelas quais Jesus tinha tanto pra-
zer em Se denominar Filho do Homem.

3. Tinha que ser santo


Ser santo significa ser sem pecado. O substituto teria de estar inocente de qualquer pecado
próprio que o colocasse sob a condenação de Deus. Teria de nascer sem a natureza pecaminosa,
da mesma maneira como Adão foi criado sem ela, “Porquanto o que fora impossível à lei, no
que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de
carne pecaminosa…” (Rm 8.3). Ele jamais poderia cometer pecado durante a vida, no entanto,
teria de ser submetido a tentações reais, tal como Adão.
Por um momento coloquemos de lado o fato de que Jesus é Deus e o consideremos como
um homem, um homem muito comum. Ele viveu na terra por mais de trinta e três anos. Não
somente não pecou, mas nem mesmo conheceu o pecado. Ele foi tentado em todas as coisas,

mas não foi tentado pelo pecado. Muitos leem o livro de Hebreus e adquirem um entendimento errado baseado numa tradução errada. O texto grego nos mostra claramente que embora o

Senhor Jesus fosse tentado em todas as coisas, Ele nunca foi tentado pelo pecado. Ele estava na
carne e, portanto, tinha fraquezas, entretanto não conheceu pecado.
Devemos ser cuidadosos quanto a isso. Atualmente os homens não gostam de ler a Palavra
de Deus, eles gostam de estudar Teologia. A Teologia, contudo, foi criada pelo homem, não
vem da Palavra de Deus.
Ser santo significa também “cumprir toda a lei”. O substituto teria de viver sob a lei de
Deus e cumpri-la perfeitamente. Teria de ser absolutamente justo em sua natureza e em todas
as suas ações, de modo a satisfazer às exigências do caráter santo de Deus, por não ter jamais
transgredido a lei divina, quer por suas intenções, quer por seus atos ou palavras.
Jesus cumpriu toda a lei. Ele foi um homem justo. Em toda a história, houve apenas um
homem que poderia ser salvo pela lei, Jesus de Nazaré. Ele não precisava guardar a lei, no
entanto, Ele a guardou. A Bíblia diz que somente os que guardam a lei podem herdar a justiça
que provém da lei. A lei diz que quem a guardar, viverá. O único propósito de Deus em dizer
isso ao homem é condená-lo e provar-lhe que é pecador. Deus nos deu a lei para nos provar que
somos pecadores. Graças ao Senhor! Há somente Um que tem vida pela lei. Esse é Jesus. Ele é
santo, portanto qualificado para ser o substituto do homem pecador.

4. Tinha de ser voluntário


O substituto teria de estar pronto a assumir a culpa da humanidade, a ser julgado e morto

por essa culpa em lugar e a favor da humanidade. Ele teria de compreender total e perfeitamente o que estava fazendo ao se tornar o substituto do homem.

Jesus viveu em total dependência do Pai, que operava por meio do Espírito Santo que habitava em Cristo. É exatamente assim que Deus deseja que todos os homens vivam. A cruz tem o aspecto humano e o aspecto divino. O homem crucificou o Senhor Jesus, mas o Senhor disse que nenhum homem tiraria Sua vida; Ele espontaneamente a entregaria (Jo10.17-18). O homem podia crucificar o Senhor mil vezes ou mais, mas a não ser que Ele desse
Sua vida, nada poderia ter sido feito contra Ele.

A cruz foi obra de Deus. O próprio Deus foi quem levou nossos pecados. A cruz foi o trabalho de Deus em favor do homem. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” (2Co 5.21).

Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. (Ef 5.2)