Céus abertos, o Espírito Santo e a Voz do Pai

“Nunca pense que você merece a benção. Quando agimos assim, saímos do favor”

Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. (Mt 3.16,17)

O Espírito Santo abre os céus

Nada do que fazemos é realmente o segredo do crescimento ministerial. Acima de tudo, a razão de qualquer êxito no ministério é a bênção, que é resultado do favor de Deus. Isso são céus abertos, favor de Deus.

Há pessoas que trabalham muito e parecem não desfrutar do fruto do seu trabalho. Algumas coisas que poderiam ser feitas em alguns dias levam meses ou até anos.

Há alguns que parecem trabalhar fielmente, são diligentes e dedicados, mas ainda assim todo o seu esforço parece infrutífero. São pessoas que exercitam fé e se entregam à oração, mas os seus esforços produzem pouco resultado. Onde está o problema? Creio que o problema é a falta da bênção do Senhor.

Estar debaixo do favor de Deus significa que as coisas fluem facilmente para nós. As pessoas até comentam que, para nós, tudo parece mais fácil. Nem trabalhamos tanto, mas os resultados são enormes.

Apesar de o nosso trabalho ser falho e da fé ser deficiente, ainda assim os frutos são visíveis. Nada é mais importante do que estar debaixo do favor.

MAS NÃO ESTAMOS TODOS DEBAIXO DO FAVOR DE DEUS EM CRISTO?

Sim e não. O favor está sempre sobre nós, o problema é que nem sempre permanecemos na posição do favor. Quando saímos dessa posição, remamos muito, mas a praia parece sempre muito distante.

Se não estamos debaixo do favor, todos os nossos esforços são inúteis. Podemos até ter cinco pães e dois peixinhos, mas eles não serão suficientes para alimentar a multidão.

A vida normal de um crente é uma vida abençoada debaixo do favor, e a obra normal de um cristão é uma obra abençoada. Se a nossa experiência contradiz isso, devemos ir ao Senhor para recebermos luz.

O favor de Deus não tem nada a ver com a nossa habilidade ou capacidade. Algumas vezes, olhamos para um irmão e, de acordo com a nossa avaliação, deveria haver certos resultados no seu trabalho. Mas os resultados não correspondem às nossas expectativas.  

Mas há outro irmão que consideramos mal equipado para o serviço, entretanto o seu trabalho tem um grande resultado. O fruto é totalmente desproporcional à sua capacidade. Como explicar isso?

O Senhor nos tem revelado que um grande mover do Espírito está diante de nós por causa da mensagem da graça que nos tem sido ministrada. Mas a grande e poderosa chave para o que Ele está fazendo é entendermos que tudo começa com a voz de Deus e a certeza de que Ele está conosco (Mt 3.17; Rm 8.31 – A Mensagem).

Existem três tipos de vozes que falam conosco e, se não discernirmos cada falar, não poderemos estar debaixo de tão grande favor de Deus no seu mover para nós nestes dias.

A voz da acusação fecha o céu

Não ouça as vozes da crítica, da condenação – “Crucifica-o” – acusação

A frutificação depende do favor de Deus, e não de nossas habilidades. Quando a graça reina, você entra no favor. Mas a graça não pode reinar com sentimento de condenação. A graça não pode reinar por meio do esforço próprio para se fazer o melhor. A graça não pode reinar pela vergonha nem pela constante consciência do pecado. A graça não pode reinar se temos uma constante expectativa do mal vindo sobre nós por causa do nosso pecado.

Nas coisas humanas, sempre raciocinamos em termos de causa e efeito, mas, quando estamos debaixo do favor, os efeitos são sempre extraordinários, porque a causa é o próprio Deus trabalhando por nós.

Acalentar o sentimento de condenação é dizer que o sacrifício de Cristo não teve valor ou é insuficiente para resolver a questão do pecado. Quando agimos assim, estamos deixando de desfrutar da graça e, por isso, saímos de debaixo do favor.

O que muitos não percebem é que a introspecção e o sentimento de condenação é justiça própria disfarçada. É a carne tentando mostrar como está triste pelo pecado com o fim de ter algum mérito. Aqueles que possuem justiça própria estão sempre olhando para si mesmos, pensando o quanto são bons e aprovados em suas obras, mas aqueles que aceitam condenação também são ocupados consigo mesmos, sempre se olhando com o alvo de encontrar alguma coisa boa em si. Você está mais consciente do seu pecado ou da justiça e do sangue de Jesus?

A tradição nos ensina a ficarmos ocupados conosco mesmos, mas o resultado disso é sempre culpa e condenação. Por causa disso, saímos de debaixo do favor.

aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. (Hb 10.22-23)

Uma má consciência, mencionada em Hebreus 10, é uma consciência que está sempre consciente do pecado, e não do perdão.

A culpa e a condenação é que impedem as pessoas de receberem a cura e toda sorte de bênção. Elas simplesmente concluem que não merecem.

Elas não duvidam que Deus pode fazer, elas duvidam que Ele queira fazer, porque pensam que tudo depende do próprio merecimento.

Por que a condenação é tão perigosa? Por causa da culpa. Sempre que nos sentimos culpados, instintivamente concluímos que alguém precisa pagar pelo pecado. Geralmente, nós mesmos temos de pagar.

A voz da justiça própria

Não ouça as vozes do elogio, da justiça própria – “Hosana, bendito o que vem” – justiça própria

Sempre pensamos que a falta de favor está relacionada com o pecado, mas o Senhor não se intimida diante do pecado. Sabemos que apenas os pecadores receberam o milagre do Senhor Jesus. A Palavra de Deus condena o pecado, mas precisamos admitir que o pecado não foi impedimento para que pessoas recebessem os milagres de Jesus.

Por outro lado, não temos o relato de nenhum fariseu recebendo coisa alguma do Senhor. Por que isso aconteceu? Simplesmente por causa da justiça própria.

Justiça própria é quando você acha que fez algo para merecer o que está recebendo. 

a. A justiça própria anula a graça – Quando temos justiça própria, decaímos da graça e saímos de debaixo do favor. A justiça própria é uma forma de dizer que não precisamos da obra de Cristo, que podemos ser aprovados por Deus por nossos próprios méritos.

b. Em Cristo, não somos mais pecadores, mas precisamos reconhecer que ainda temos a carne, e em nossa carne não habita bem nenhum. Precisamos rejeitar toda justiça que procede da lei, pois ela é segundo a carne.

c. Não há nada de bom em nós – Sempre que pensamos que somos parcialmente bons e que há algumas partes boas em nós, somos desqualificados para o favor.

Em Levítico 13, lemos sobre a lei da lepra. Se uma pessoa tivesse lepra na cabeça, era considerada impura. Se tivesse na barba, era impura. Se tivesse numa queimadura ou numa ferida, era impura. Mas, se a lepra estivesse no corpo inteiro, era declarada limpa (Lv 13.12-13). Em outras palavras, quando reconhecemos que não há nada de bom em nossa carne, somos qualificados para o favor.

Nunca pense que a bênção é pelo seu merecimento. Nunca se glorie, dizendo que cumpriu as condições para ser abençoado. Nunca pense que você merece a bênção. Quando agimos assim, saímos do favor. Mas devemos sempre declarar que tudo é por causa da justiça de Cristo.

E ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé (Fp 3.9)

Ouça apenas a voz do Pai

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” – Esta é a voz do avivamento – ELE NOS AMOU.

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (1 Jo 4.10)

Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5.7)

Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (Rm 8.32)

Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor. (Gl 5.6)

Tudo e todo mover de Deus começa e precisa começar com a revelação de que somos amados pelo Pai antes de o amarmos ou amarmos o próximo, que são as outras fases importantes do amor, mas que são apenas reflexo do amor de Deus por nós em primeiro lugar.

A fé atua pelo amor, mas esse amor não é o meu por Ele ou pelo próximo, mas sim o conhecer por revelação e experiência, o quanto Ele nos ama.

O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra. (Mt 13.44-46)

A Bíblia diz que Ele é aquele homem que, encontrando um tesouro no campo – que Ele, inexplicavelmente, diz que somos nós –, vai, vende tudo o que tem, volta e nos compra para Ele.

Como alguém tão rico, maravilhoso, explêndido, magnífico e inexplicável pode achar que vale a pena vender tudo o que tem para comprar alguém insignificante e inqualificável como nós? Jamais poderei compreender tal amor. É estonteante, avassalador, insondável. Não tenho palavras.

Como alguém, sendo Deus, pode atribuir tal valor a alguém como nós? O preço que se paga por algo é o preço que se vale aos olhos do pagador.  Ele achou que valia a pena pagar tudo por você e por mim. O que eu posso negar a alguém assim?

Não é incrível que Ele fez tudo isso transbordante de alegria? Como pode tanto amor? Definitivamente, nada poderia estar mais longe de ser chamado de vida cristã, como as palavras: obrigação, medo, ameaça, coerção e até mesmo preço.

Quem está tomado de paixão vende tudo o que tem, paga o preço mais alto que alguém pode pagar por algo, TUDO, e chama isso de transbordante de alegria.

Com toda a convicção da minha vida, eu afirmo, é impossível que alguém tenha uma experiência com tal amor e não se consagre, não se disponha a entregar tudo, a dar toda a sua vida e, nas palavras do apóstolo Paulo, a fazer da sua vida uma oferta no altar de Deus (2 Tm 4.6)

Perguntas para compartillhar:

– O que o tem impedido de desfrutar do favor de Deus em sua vida?

– Qual tem sido a sua percepção a respeito da justiça própria?

– A sua vida tem sido uma oferta no altar de Deus?


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