Você está firmado na verdade?

A mensagem da graça coloca o Senhor Jesus de volta no centro

Judas era um irmão físico do Senhor Jesus. Mas ele não se apresenta como irmão do Senhor na sua carta, e sim como servo, escravo. Tanto Judas como Tiago eram filhos de Maria e José, mas Jesus nasceu da virgem, cem por cento homem e cem por cento Deus.

Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (Jd 1.3)

Algo aconteceu enquanto Judas escrevia o seu livro. Algumas pessoas se introduziram no meio dos irmãos distorcendo o evangelho e, por causa deles, Judas diz que era preciso lutar pela fé.

É a fé, com artigo definido. Você sabe que fé é essa? É a justiça pela fé. É o evangelho. Por que lutar por isso? Porque estavam distorcendo a verdade do evangelho.

Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo. (Jd 1.4)

A palavra “transformam” é metatithemi no grego. O sentido original dessa palavra é “transpor, transferir, substituir uma coisa por outra”. O que esses homens fizeram? Eles substituíram a graça por libertinagem.

Em Gálatas 1, Paulo usa essa mesma palavra quando diz que os gálatas estavam passando (metatithemi) da graça para outro evangelho. Estavam trocando a graça pela lei.

Em Judas, as pessoas estavam também substituindo o evangelho da graça por outra coisa. Quando tiram a graça esses homens são obrigados a tirarem também o Senhor Jesus do centro. Ao fazerem isso, eles estão negando o Senhor Jesus.

Temos ouvido muitos sermões em que poucas vezes se menciona o nome de Jesus. É tudo sobre os esforços do homem, o desempenho do homem, o que você precisa fazer, sete passos para isso, oito coisas para alcançar aquilo, e, no fim, o nome de Jesus é negado.

No verso 11, Judas nos dá três características daqueles que distorcem o evangelho e se desviam da verdade:

Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. (Jd 1.11)

O caminho de Caim

Qual é o caminho de Caim? Lembra-se do primeiro assassinato na Bíblia? Caim assassinou seu irmão Abel. Por quê? Caim não era um adorador? Não, ambos eram adoradores, mas um veio a Deus pelas obras e o outro pela fé.

Desde o Éden, o cordeiro teve de morrer para que o homem pudesse ser salvo. Apocalipse 13.8 diz que o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo.

Quando aconteceu isso? Depois que Adão e Eva pecaram, eles perceberam que estavam nus e tentaram fazer roupas para si de folhas de figueira. Deus, então, mata o cordeiro e da sua pele faz roupas para Adão e Eva. Aquele cordeiro apontava para o Senhor Jesus. E, para que o homem se apresentasse diante de Deus, o sangue foi derramado no Éden (Gn 3.21).

Depois que saíram do Éden, Adão e Eva tiveram dois filhos, Caim e Abel. Mas, por alguma razão, Caim se recusou a se apresentar diante de Deus da maneira como ele havia preestabelecido, por meio do sangue.

Quando nós aceitamos o modo de Deus, reconhecemos que somos pecadores e que precisamos da cobertura do sangue. Caim, porém, não fez isso, ele trouxe ao Senhor uma oferta de cereais em que não havia sangue. Abel, por sua vez, trouxe um cordeiro, que aponta para o Filho de Deus, o qual derramou o seu sangue por nós.

Todos aqueles sacrifícios do Velho Testamento apenas cobriam o pecado, não eram o pagamento final. É como o nosso cartão de crédito. Quando pagamos as contas com o cartão, não estamos realmente pagando ainda, o verdadeiro pagamento vem no dia em que a fatura do cartão é debitada na sua conta bancária. No Velho Testamento, o cartão de crédito foi usado com sangue de animais, até que veio o Filho de Deus e pagou a conta definitivamente na cruz.

Caim trouxe frutas, legumes e cereais, o produto de suas mãos. Ele trabalhou para produzir essas coisas e as trouxe para Deus, mas o homem só pode chegar a Deus pelo sangue. Sem o derramamento de sangue, não há remissão de pecados (Hb 9.22).

Quando o homem traz o sacrifício sem sangue, ele está dizendo: “Eu não sou um pecador. Não preciso do sangue para me cobrir. Não preciso que o inocente morra por mim, o culpado. Eu não sou culpado. De fato, pelo meu próprio desempenho, eu posso satisfazer a Deus”. Este é o significado do caminho de Caim. É uma religião baseada na obra humana.

Mas Abel, seu irmão, o que ele trouxe? A Bíblia diz que trouxe um cordeiro e o cordeiro foi morto como sacrifício diante de Deus. Com a sua ação, ele estava dizendo: “Eu sou um pecador. Se o cordeiro não for morto, eu serei condenado pelos meus pecados, mas eu coloco as minhas mãos sobre o cordeiro. Os meus pecados são transferidos para ele, e a justiça do cordeiro é transferida para mim. O cordeiro é morto para que eu seja abençoado”.

Deus aprovou a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim. Não sei como Caim percebeu que a oferta de Abel havia sido aceita, talvez tenha caído um fogo do céu e a consumido. Há muitos lugares nas Escrituras onde o fogo do juízo de Deus caiu sobre pessoas, mas, quando há o sangue, o fogo cai sobre o sacrifício, e não sobre nós. O juízo veio sobre o Cordeiro na cruz para que hoje não soframos nenhuma condenação.

Caim ficou com inveja do seu irmão e se encheu de amargura. Ele certamente pensou: “Abel não é melhor do que eu. Eu ofereci do meu melhor para Deus. Por que ele foi aceito e eu não? Por fim, ele matou o seu irmão.

Em Gênesis 4.7, o Senhor diz a Caim: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta […]”. Este é um texto bem obscuro, mas tudo fica claro quando entendemos que a expressão “o pecado jaz à porta” também pode ser traduzida como “a oferta pelo pecado está à porta”. Deus colocou o cordeiro à disposição de Caim, mas ele rejeitou, preferiu as suas próprias obras.

Para o pecado, temos a provisão do sangue, mas, se confiamos na justiça própria, nossas obras são contadas como iniquidade. É isso o que Deus diz a respeito de Caim.

Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. (1 Jo 3.11-12)

João diz que Abel era justo e Caim era maligno. Mas o que Abel fez para ser chamado de justo? Ele apenas confiou no sangue para se apresentar diante de Deus. Se confiamos no sangue, Deus nos vê como justos.

E ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. (Fl 3.9)

Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção. (1 Co 1.30)

João diz que Caim matou o seu irmão porque as suas obras já eram más. O que é ter obras malignas? É confiar na justiça própria. Quando confiamos na justiça própria, inevitavelmente todas as obras da carne vão acabar se manifestando.

Judas está dizendo que certos homens entraram na igreja e seguiram o caminho de Caim. O que isso significa? Significa que eles estão trazendo de volta o desempenho humano, as obras do homem, o produto de suas mãos, a justiça própria. O foco deles não é mais o sangue do Cordeiro. Este é o caminho de Caim.

O erro de Balaão

A segunda característica desses líderes é que eles seguiram pelo erro de Balaão. Quem era Balaão? Balaão era um profeta no Antigo Testamento, lembra-se da história?

Balaque, o rei de Moabe, temia que os filhos de Israel fossem guiados por Moisés passando através de sua terra e disse: “Vou contratar um bruxo profissional”. Então, o rei Balaque contratou Balaão, o profeta, porque Balaão tinha reputação de ter o poder de amaldiçoar alguém, e essa pessoa experimentaria toda sorte de coisas ruins.

Todavia, quando Balaão tentou amaldiçoar o povo de Israel, Deus mudou as palavras na sua boca e ele só pôde proferir bênçãos. Ele abençoou o povo de Deus. Sabe por quê? Porque, quando Deus abençoa, você não pode ser amaldiçoado.

Então, proferiu a sua palavra e disse: Balaque me fez vir de Arã, o rei de Moabe, dos montes do Oriente; vem, amaldiçoa-me a Jacó, e vem, denuncia a Israel. Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar a quem o SENHOR não denunciou? (Nm 23.7-8)

Não viu iniqüidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o SENHOR, seu Deus, está com ele, no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei. (Nm 23.21)

Este é um aspecto claro do erro de Balaão, ele presumia que Deus amaldiçoaria o seu povo já que eles tinham se comportado mal no deserto. Mas, apesar de todos os erros de Israel no deserto, eles ainda eram povo de Deus, e Deus não permitiu que Balaão os amaldiçoasse.

Ninguém pode revogar a bênção que Deus liberou. A bênção de Deus sobre a sua vida não pode mais ser revertida. Ele decidiu nos abençoar, por isso toda língua que se levantar contra nós em juízo, nós a condenaremos (Is 54.17).

Qualquer um que acha que pode lançar maldição sobre os irmãos está seguindo pelo erro de Balaão. Frequentemente, ouvimos falar de pastores que amaldiçoam aqueles irmãos que os deixam.

Todo aquele que pensa que Deus nos abençoa por causa de nossas obras ou merecimento ainda anda no erro de Balaão. Mas aqueles que pregam condenação e jugo sobre o povo de Deus também estão no erro da justiça própria. Não somos abençoados porque somos bons ou fiéis, mas porque Ele é bom e fiel.

A revolta de Coré

Quem é Coré? Coré é um daqueles homens que instigaram uma insurreição contra Moisés e Arão, o sumo sacerdote. Eles estavam com ciúmes da posição de Arão.

Deus fez de Arão o primeiro sumo sacerdote de Israel. Mas quem é o nosso sumo sacerdote hoje? É o Senhor Jesus.

Coré e seu grupo vieram até Moisés e disseram:

Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR? (Nm 16.3)

O que eles disseram não era errado. A congregação é santa mesmo. Mas não basta falar a coisa certa, é preciso ter uma posição correta diante de Deus. Há muitos falando contra a igreja e seus pastores, e o que eles dizem pode até ser verdade, no entanto estão cheios de morte.

Eles se levantaram contra Arão e disseram: “Todos nós somos santos”. Estavam dizendo que não precisavam de Arão.

Arão era o sumo sacerdote, e Deus estabeleceu que ninguém pode se chegar diante d’Ele sem a intermediação do sumo sacerdote. Hoje, o nosso sumo sacerdote é Cristo, e ninguém pode se chegar a Deus sem a intermediação de Cristo.

Existe o princípio do representante na Bíblia, ou seja, Deus trata com o representante como se tratasse com todo o povo. Davi representou o povo de Israel na luta contra Golias; assim, a sua vitória é a vitória de todo o povo.

Não era necessário que todo o Israel lutasse, eles tinham um representante. O mesmo princípio se aplicava ao sumo sacerdote. Ele representava todo o povo diante de Deus. Se o sumo sacerdote entrasse no Santo dos Santos e caísse morto ali, ele seria arrastado para fora e toda a nação saberia que Deus os havia rejeitado. Eles agora teriam um ano ruim, com derrota para os inimigos, seca e fome. Mas, quando o sumo sacerdote saía do Santo dos Santos vivo, ele erguia a sua mão para abençoar a nação, e agora eles sabiam que Deus os havia aceitado e teriam um grande ano, com chuva e abundância. O que Deus estava dizendo é que, se o seu sumo sacerdote é aceito, você é aceito também.

Mas os bons sumos sacerdotes envelheciam e morriam. É por causa disso que a segurança no Velho Testamento não era permanente. Aquele bom sumo sacerdote ficava velho, e as pessoas olhavam temerosas para o seu filho que o sucederia e não tinha um bom comportamento. Mas, agora, nós temos um sumo sacerdote que vive para sempre. Quando o sumo sacerdote é aceito, nós somos aceitos também, e hoje o nosso sumo sacerdote é Jesus.

Nós nos tornamos pecadores por causa do pecado de um único homem. Adão era o nosso representante. Você não é pecador por causa dos seus próprios pecados, ainda que você certamente os tenha, mas você é pecador porque herdou a natureza de Adão.

Hoje, nós somos salvos por causa da obediência de um único homem, Jesus Cristo. Ele é o nosso representante diante de Deus, por isso a vitória d’Ele é considerada nossa e a obediência d’Ele é a nossa obediência.

João diz que, como Ele é, nós somos neste mundo. Se Ele é aceito por Deus, nós também somos aceitos. Se Ele é justo, nós também somos justos. Se Ele é saudável, nós também somos neste mundo. Se Ele é próspero, nós também somos. Se Ele está debaixo do favor de Deus, nós também estamos.

Temos um sumo sacerdote que se compadece de nós e intercede por nós (Hb 4.15). Você sabe por que Deus escolheu Arão, e não Moisés, para ser o sumo sacerdote? Isso é curioso porque Moisés era o libertador, o homem que falava com Deus face a face. Mas, ainda assim, Deus escolheu Arão. Eu creio que a razão disso é que Moisés nunca havia sido escravo como o povo. Enquanto todo o povo sofria debaixo da escravidão, Moisés estava no palácio de Faraó. Ele, então, não podia se identificar com o povo. Por outro lado, Arão sofreu junto com o povo. O sumo sacerdote precisa ser alguém que se identifica com o seu povo. Esta é a razão por que Cristo se fez homem, para ser o nosso sumo sacerdote. Ele nos compreende e nos ama porque se fez como nós.

Moisés manda que os filhos de Coré coloquem fogo no incensário e tragam diante do Senhor 16.17-18). Agora observe isto, se alguém não é separado por Deus e decide oferecer incenso, isso é chamado fogo estranho, e o resultado é que morrerá diante do Senhor. No dia seguinte, Coré e os outros ofereceram incenso e imediatamente um fogo saiu e os consumiu a todos (16.35).

Por que alguns ainda vivem sendo consumidos, esgotados na obra de Deus? Eles estão sempre reclamando que toda a energia se foi, que estão consumidos. Isso acontece porque eles nunca pregam sobre o sumo sacerdote. Como Coré, não veem a necessidade do sumo sacerdote.

O que temos aprendido e visto é que, assim como é o nosso sumo sacerdote, também nós somos neste mundo (1 Jo 4.17). Nós percebemos a nossa necessidade do sumo sacerdote. Nos últimos dias, a rebelião de Coré fará com que as pessoas pereçam.

O Sinal de que o ministério de Arão ahvia sido escolhido por Deus foi o sinal da vara que floresceu. Isso nos fala de vida, vida de ressurreição. Aqueles que andam pelo caminho de Coré podem até falar a coisa certa, mas não possuem vida como selo (Nm 17).

Em outras palavras, eles estão indo pelo caminho de Caim. O ensino das obras do homem será exaltado nos últimos dias.

Eles seguem pelo erro de Balaão, acreditando que o povo de Deus pode ser justo hoje e amanhã perder a justiça; pode ser abençoado de manhã e ser amaldiçoado à tarde. Este é o erro do Balaão.

Por fim, seguem a rebelião de Coré, rejeitando o fato de que eles são todos pecadores e precisam de Jesus Cristo como mediador para ser o seu sumo sacerdote. Pensam que, pela sua própria performance, serão o próprio sumo sacerdote, e o resultado é que serão rejeitados.

O evangelho que você tem ouvido e pregado é o oposto do caminho de Caim? É o oposto do erro do Balaão? É o oposto da rebelião de Coré? A mensagem da graça coloca o Senhor Jesus de volta no centro. A mensagem da graça faz tudo depender do Senhor Jesus e nada do homem. Agindo assim, estaremos firmados na verdade do evangelho.

Perguntas para compartilhar:

O evangelho que você tem ouvido e pregado é o oposto do caminho de Caim?

Quem é o nosso sumo sacerdote hoje?

O que é ter obras malignas?

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