Você terá a unção que honrar

Você terá a unção que honrar

Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito. Tornou-lhe Elias: Dura coisa pediste. Todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não me vires, não se fará. (2Rs 2.9-10)

Quando lemos esses versículos, temos a sensação de que Elias está cheio de si mesmo, cheio de ego, ou algo do tipo “olhar para o homem”, mas não é. Na verdade, existe um teste muito importante aqui. Esse teste está vinculado ao nosso caminho diante de nossas autoridades. Nós seguimos a Deus, mas também honramos homens de Deus. Certa vez, Jesus liberou uma palavra que chocou os discípulos. Ele disse:

Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. (Jo 6.53)

À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. (Jo 6.66)

Nesse texto, Jesus estabelece uma condição para o discipulado segundo seu coração, que é comer da carne e beber do sangue do discipulador. Mas o que isso significa? Significa que recebemos vida quando decidimos honrar e repetir as mesmas palavras, ou seja, o mesmo ensino daquele que Deus colocou como pai em nossa vida ou de quem desejamos receber algo, em Deus, que a pessoa possui. Coincidência ou não, é incrível percebermos que o capítulo e o versículo de João que mostram os discípulos abandonando Jesus, não aceitando esse preço e princípio de comprometimento radical no discipulado, seja 666 (6.66).

Nós, de fato, acreditamos em transferência de unção, mas para aqueles que realmente estão nesse caminho de honra – recebendo, admirando e repetindo o ensino daqueles que queremos receber – estão liberando em Deus. Pode até parecer arrogância, mas não é. Quando Elias está dizendo isso para Eliseu, ele está falando da parte do Espírito. Paulo, pelo Espírito, disse:

Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus. Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores. (1Co 4.15-16)

Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo. (1Co 11.1)

Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. (Fp 3.17-18)

Claramente, quando lemos esses versículos, percebemos que existe um princípio de transferência da vida de Deus através de homens. Esses homens estão recebendo algo de Deus e, por meio do princípio da honra, essa vida pode ser liberada e transferida. Uma vez que temos revelação e entendimento de que somos o que somos pela graça, podemos dizer as mesmas palavras aos nossos discípulos ou àqueles que querem receber algo de nós. Podemos dizer-lhes pela graça: “Sede nossos imitadores, como também nós somos de Cristo”. Nossa grande preocupação é não perdermos a unção, o mover de Deus, aquilo que o Senhor tem nos dado por sua graça. Que esse rio possa continuar correndo através de homens humildes o suficiente para serem discípulos que comem da carne e bebem do sangue dos que vieram antes deles, daqueles que estão seguindo a Cristo. Se queremos algo de Deus que é realidade espiritual na vida de alguém, esse é o preço.

 

 

Pertencemos à linhagem espiritual que honramos

Na vida cristã, existe uma linhagem, uma cascata de compartilhar de vida e unção. São homens de Deus que, de uma maneira espiritual, transferiram para seus verdadeiros discípulos o que receberam do Senhor através de outros pais na fé. É assim que uma linhagem de homens de Deus é construída no reino de Deus. A qual linhagem você pertence? De quem você tem comido a carne e bebido o sangue? Responda a essa pergunta e você encontrará o tipo de vida e unção que se manifestarão em sua realidade espiritual.

Quando decidimos andar por esse princípio, sofreremos ataques, pois o diabo sabe que esse é o meio pelo qual as gerações de homens de Deus se perpetuam na terra. O diabo já me disse muitas vezes: “Você não é homem de Deus, você é o papagaio do Aluízio”. No entanto, quando você vence o ego, Deus começa a abençoá-lo com o que você começa a receber daquela pessoa e também começa a liberar sua Palavra diretamente para você. Quando você morre, a vida de ressurreição nasce. Se você quer um trabalho frutífero, vai ter que receber de alguém. Isso é maravilhoso, Deus sempre nos pega em nosso ego. Não foi sem razão que muitos se escandalizaram com o discurso de Jesus em João 6. E, se escandalizaram com o discurso de Jesus, também se escandalizarão com o mesmo discurso através de nós. Se fecharam o coração para esse princípio ensinado por Jesus, infelizmente, em nossos dias, muitos também fecharão o coração para essa verdade fundamental que desenvolve uma obra consistente e prevalecente. Todavia, não foram todos os que deixaram Jesus. Os discípulos que resolveram comer da carne e beber do sangue de Jesus herdaram preciosa herança e continuaram a obra do Senhor no mesmo poder e realidade, realizando obras maiores, recebendo uma porção dobrada.

E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa. (Mt 13.57)

E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (Lc 7.23)

Como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido. (Rm 9.33)

Esses versículos nos mostram a realidade de que Jesus pode ser um tropeço para muitos. Temos de nos submeter e honrar os que vieram antes de nós, aqueles que foram colocados em nosso caminho com o propósito de serem canais estabelecidos por Deus para recebermos a unção e o ministério. Talvez você não tenha conhecimento dessa realidade, mas quem tinha o ministério frutífero no trabalho com os jovens era o pastor Aluízio. No início de seu ministério, ele liderava os jovens com realidade e sucesso espiritual. Quando me converti, ele era o pastor de jovens e, desde de então, temos comido da realidade e da vida que ele possui, por isso tenho certeza daquilo que temos, pois recebemos através desse santo princípio de honra e discipulado. Talvez, de fato, ninguém tenha um ministério próprio, de si mesmo. A realidade é que recebemos e continuamos o ministério de outros que vieram antes de nós. Esta é a maneira como Deus nos pega e nos quebranta. Ele nos dá através de outros. Os Radicais Livres é apenas o florescer do que recebemos de outros.

A palavra de Deus é esse santo e aparente paradoxo. Precisamos de revelação para compreendê-la. Em um momento, lemos: “Maldito é o homem que confia no homem”, para logo na frente dizer: “Sede meus imitadores”. Nós jamais devemos esperar coisa alguma do homem ou de nós mesmos. Todavia, precisamos entender que, na maioria das vezes, recebemos de Deus através dos homens. A unção é transferida na cruz, através da cruz.

Liderando jovens com sucesso – Pr. Naor Pedroza