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Exercitando-nos para a batalha

Todo soldado que vai para a batalha se exercita e passa horas e horas em treinamento de guerra. O preço é altíssimo. Certa vez, conversei com um discípulo que havia passado por um curso de formação de oficiais do exército e pude saber o quanto o curso é difícil e penoso. Creio que deve ser assim mesmo, porque uma guerra não é uma brincadeira.

Ele me relatou quantas vezes ficou sem dormir, sem comida, e outras tantas andando por lugares terríveis. Enfrentaram chuva, lama e sol escaldante. Se esses homens são dispostos a passar por tantos exercícios para serem treinados para a batalha, por qual motivo os crentes não deveriam ser?

Como no exercício físico, assim deveríamos também exercitar nosso espírito. Precisamos ter o espírito forte, a alma transformada e a mente renovada pela Palavra de Deus. Não podemos ter uma vida cristã passiva, nem um pensamento tolo de que, como filhos, apenas devemos esperar tudo do Pai. Não podemos ficar alheios à terra que Deus deu aos filhos dos homens (Sl 115.16) e que o homem transferiu a Satanás (Mt 4.9), mas que Cristo agora nos deu sua autoridade sobre a terra para reconquistá-la para o Senhor (Mt 28.8-20).

Nossa vida cristã deve ser, portanto, ativa. E, para que possamos ser fortes e ativos, é de extrema necessidade que nos exercitemos para o nosso fortalecimento.


Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. (Ef 6.10)


Muitos jovens admiram aqueles homens fortes e musculosos, mas se esquecem de que eles não nasceram assim. Eles tiveram que pagar um alto preço de exercícios físicos para ficarem daquela forma. Assim deve ser o cristão. Se há uma ordem de Deus para que sejamos fortalecidos no Senhor e na força do seu poder, então precisamos ir até Ele para nos exercitar e nossa musculatura espiritual ser fortalecida.

Quais devem ser os nossos exercícios? O que podemos fazer para sermos fortalecidos n’Ele? Quais são os elementos envolvidos? Vamos explorar dois princípios que creio serem importantíssimos para esse fortalecimento.

Busque pensar como Ele pensa


Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos. (Is 55.9)


Sabemos que a obediência é muito importante em nosso relacionamento com Deus. Chegamos a pensar que os cristãos desobedecem deliberadamente, mas tenho para mim que, em grande parte de nossas desobediências, o que está por detrás é que não pensamos da maneira correta. Não pensamos como Deus pensa. Não temos compreensão dos princípios envolvidos nos pensamentos do Senhor, nem mesmo das implicações de suas atitudes. É por isso que muitas vezes não conseguimos entender por que, afinal, Deus não nos responde as orações ou não resolve determinadas situações. Alguns chegam a declarar: “Eu não consigo entender Deus”. E por que não entendem? Porque não conseguem visualizar ou compreender os seus pensamentos. É por isso que a Escritura diz:


E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.2)


Muitas derrotas impostas pelo inimigo estão no fato de que os irmãos simplesmente têm sua mente conformada com o presente século. Em outras palavras, têm, permitem ou desenvolvem uma mente mundana, forjada e alicerçada nos princípios do mundo. Não desenvolvem o perdão, uma vez que, no mundo, o que prevalece é a justiça própria. Não se preocupam com a santidade, pois o que impera no mundo é a depravação, a luxúria e o prazer. É claro que muitos não entrarão de cabeça nessas coisas, mas amam desfrutá-las numa medida menor. Tudo com base no “todas as coisas são lícitas”, esquecendo-se do “mas, nem todas convêm” (1 Co 10.23).

Saul foi um rei ungido por Deus, mas ele não permaneceu no Senhor. Ainda no segundo ano de seu reinado, numa determinada situação, o profeta Samuel lhe havia ordenado que o esperasse para que pudesse sacrificar ao Senhor, mas Saul disse que, forçado pelas circunstâncias, ofereceu holocaustos, algo que não estava no raio de sua autoridade (1 Sm 13.8-14).

Nesse dia, Saul havia desobedecido ao profeta e à lei, por isso foi reprovado. Mas por que razão Saul fez isso? Não tenho dúvida de que ele pensou de acordo com o mundo, e não de acordo com o Senhor e seus princípios. É o mundo que age por impulso. É a mentalidade mundana que age por pressão das circunstâncias, não nós. Os cristãos devem ser guiados pelo Espírito Santo. Não podemos ser guiados pela pressão das circunstâncias, mas pela percepção espiritual. A mente de Saul era mundana, e ele não se preocupou em renová-la.

Por que digo que Saul não tentou renovar sua mente? Numa outra situação, após essa, o Senhor determinou que ele guerreasse contra Amaleque e o destruísse totalmente, incluindo homens, mulheres, crianças e animais, mas o que ele fez? Preservou o rei Agague, bem como o melhor do gado para que fosse sacrificado ao Senhor. Sua desculpa foi que temeu o povo e seus soldados. Ele não queria desagradar aos seus homens, pois eram mundanos como ele. No mínimo, eles acharam um desperdício matar tantas coisas valiosas (1 Sm 15.1-31), ou talvez devam ter pensado que Samuel estava equivocado, que provavelmente não havia entendido a voz de Deus corretamente, ou ainda podem ter pensado: “Isso não se parece com Deus!”

A mente de Saul e de seus homens eram mentes mundanas, e seus pensamentos também. Eles não estavam em sintonia com os pensamentos de Deus.

Se você deseja ser fortalecido no Senhor e na força do seu poder, decida hoje mesmo dar uma guinada em sua vida. Comece hoje mesmo em oração a pedir a Deus que você seja mudado e transformado. Só que não basta a oração. Não é uma questão apenas de pedir, mas de ler e estudar as Escrituras. Elas são a fonte dos pensamentos de Deus e é nelas que podemos ver e enxergar seus pensamentos, conhecer sua mente.

Esse versículo termina dizendo que, se renovarmos a nossa mente, vamos desfrutar da boa, agradável e perfeita vontade de Deus. E não se esqueça de que essa vontade sempre será a melhor para você. Podemos desfrutar de relacionamentos saudáveis, viver uma vida tranquila, prazerosa e desfrutar da paz do Senhor.

Ande pelos caminhos em que Ele anda

Para tentar falar sobre esse assunto, precisamos primeiro responder qual é o caminho que o Senhor anda. Qual é o caminho do Senhor?

Para responder a essa pergunta, precisamos buscar na Palavra, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Um testamento é o documento que expressa a vontade do testador, e a vontade de alguém está intimamente ligada ao seu caráter. Não está ligada ao temperamento, mas ao caráter. Uma pessoa pode ser extrovertida, mas seu caráter é que vai ditar seu caminho. Outra pode ser reclusa e introvertida, e o seu caráter, e não o seu temperamento, é que ditará o seu caminho. Muitas pessoas introvertidas andam por caminhos tortuosos tanto quanto pessoas extrovertidas. O caminho de alguém, portanto, depende de sua vontade e de seu caráter. E qual é o caráter de Deus?

O caráter de Deus está expresso na lei que Ele deu a Moisés no Monte Sinai. Essa lei consistia dos mandamentos (personalidade), das ordenanças (religiosas) e dos juízos (civis) e era a expressão do seu caráter. Quando disse: “Não adulterarás” (Êx 20.14), na realidade estava dizendo que Ele é alguém cujo caminho é a fidelidade. Quando disse: “Não dirás falso testemunho” (Êx 20.16), queria expressar o seu caráter verdadeiro, que abomina a mentira, a falsidade e o engano. Por isso, Jesus é a verdade. Esse é o caráter de Deus, esse é seu caminho.

O salmista disse: “Pois tenho guardado os caminhos do Senhor e não me apartei perversamente do meu Deus. Porque todos os seus juízos me estão presentes, e não afastei de mim os seus preceitos. Também fui íntegro para com ele e me guardei da iniquidade” (Sl 18.21-22).

Repare que o salmista disse que guardava os caminhos do Senhor e relacionou esses caminhos com o guardar a lei e também a transgressão da lei, o que significa que o caminho do Senhor consistia tanto em guardar a lei quanto em evitar a transgressão da lei, isto é, o pecado. Dessa forma, podemos afirmar que aqueles que estão no pecado não estão no caminho do Senhor. Portanto, podemos dizer que o caminho do Senhor é um caminho de santidade.

Todavia, a lei somente não tinha condições de expressar completamente o caminho do Senhor, uma vez que havia maldições decorrentes da quebra da lei, e o caminho do Senhor é um caminho de bênção, e não de maldição.

É por isso que necessitamos do Novo Testamento para compreendermos melhor os caminhos do Senhor. Em Lucas, temos o cântico de Zacarias falando a respeito de João Batista. Zacarias disse: “Tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos [...]” (Lc 1.76).

Zacarias está falando que João Batista precederia o Senhor, bem como os seus caminhos. Disso podemos aferir que Jesus, o Cristo, é a personificação dos caminhos do Senhor. Jesus cumpriu toda a justiça (Mt 3.15), portanto cumpriu a lei. N’Ele não havia pecado algum (Hb 4.15; 9.21), por isso era santo e nunca transgrediu. Em outras palavras, nunca pecou. Ele andou nos caminhos do Senhor em relação ao Velho Testamento. Mas, Jesus, em sua completude divina, encerra não somente a lei como padrão, mas também a graça, a verdade e a própria vida de Deus, numa medida nunca vista pelos olhos humanos, nem mesmo pelos seres angelicais. A Bíblia diz que Ele era cheio de graça e de verdade (Jo 1.14). Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Não é qualquer vida, mas a vida de Deus. O “Zoe”, a vida do próprio Deus, a própria natureza de Deus.

Quem deseja seguir os caminhos do Senhor deve seguir a graça, a verdade e ter a vida de Deus. Ele, Jesus, é o próprio caminho de Deus, como Ele mesmo disse. Quem anda por Ele anda pelos caminhos de Deus. Quem anda n’Ele cumpre a lei, anda na graça e na verdade e ainda é guiado pela própria vida de Deus. A vitória na batalha espiritual está em seguir esse caminho. Ande com o Senhor Jesus e você andará nos caminhos do Senhor. Somos completamente fortalecidos no Senhor e podemos desfrutar da força do seu poder todas as vezes que estamos em Cristo, e em Cristo vivemos e nos movemos (At 17.28).


Fonte: Armadura de Deus — Princípios gerais da batalha espiritual

Pr. Marcos Motta


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