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Uma vida de Cruz

Como dizia uma grande mulher de Deus que marcou o início da minha vida cristã, a missionária Valnice Milhomens: “Carne, quem manda aqui sou eu!" Por ter uma vida de muita disciplina, de jejuns longos e por gostar muito de azeitonas, um dia ela limitou a quantidade de azeitonas que comeria. Nós, mulheres que desejamos ser usadas por Deus, também precisamos ter essa atitude, não se tratando especificamente de azeitonas, mas de ter a disciplina de subjugar a nossa carne e ativar o nosso espírito para uma vida de cruz e, consequentemente, uma vida de vitória.

Se a nossa vida e ministério não têm cheiro de morte, eles não terão o fluir da vida de Deus.

No tempo de Jesus, os mortos eram ungidos com óleo misturado com mirra. Quando Jesus

nasceu, Ele ganhou três presentes dos reis magos: ouro, incenso e mirra. O ouro significa a

realeza: Jesus era o Rei dos reis, o Rei dos judeus. O incenso tipifica o sacerdócio: Jesus é o sacerdote que intercede por nós. E o terceiro presente, a mirra, tipificava a morte. A mirra é uma árvore espinhosa, nativa do norte da África, da qual se extrai um pó cheirosíssimo, e era utilizada na mumificação. Jesus ainda era um bebê e recebeu a profecia da sua morte. Os presentes que os magos estavam oferecendo tinham um significado espiritual.


Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não

morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua

vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á

para a vida eterna. (Jo 12.24-25)


Sem morte, não há vida. Se queremos ser instrumentos nas mãos do Senhor, precisamos

morrer para nós mesmas.

Nesse texto de João, vemos que quem amar a sua vida e não subjugar a sua carne não

frutificará. No verso 25, vemos a palavra “vida” se repetir três vezes. Porém, o significado não é o mesmo para todas elas. O texto diz: "Quem ama a sua vida perde-a". Mas que tipo de vida?

O significado dessa palavra é “psique”, a vida da alma, composta por mente, vontade e

emoção. São os nossos sentimentos, emoções, pensamentos e vontades.

Quem não sacrifica a vida da alma não terá o fluir da vida de Deus. Quem não está disposto a se sacrificar para servir em um encontro no fim de semana, para deixar o seu conforto, a sua cama, o seu quarto, para dormir em um alojamento com várias pessoas vai perder a

oportunidade de ser um instrumento de Deus. Quem não se dispuser a liderar uma célula e

abrir mão do tempo para orar e se preparar também vai perder a chance de usada por Deus.

Ao amar a sua alma, o seu prazer, a sua vontade, estará perdendo a sua única oportunidade de ser um instrumento de Deus.


Nossa expectativa de vida no Brasil é entre 80 e 90 anos. Talvez a maioria de nós já tenha

percorrido a metade ou mais da metade de nossa vida aqui na terra. Quero lhe fazer uma

pergunta: Como você tem gastado a sua vida? Em que você tem investido? Qual é o seu

projeto de vida? Comprar carro? Casa? Casar? Comprar uma chácara e desfrutar do balanço de uma rede sob a sombra com seus netos? Tudo isso, sem dúvidas, é muito bom, mas não é tudo.

Alguns estão investindo sua vida em um banco falido. Este mundo vai passar, as riquezas, os bens, os títulos, os reconhecimentos passarão. Com o que você vai gastar a sua saúde, o seu vigor, os anos que lhe restam? Nosso projeto de vida deve estar dentro dos planos de Deus para nós, e não apenas em nossos planos pessoais.

A Bíblia diz: "Quem ama a sua vida perde-a" (Jo 12.15). Por quê? Porque esta vida é passageira.

Todo investimento natural que for feito aqui ficará aqui, mas o investimento que fizermos no

reino de Deus irá conosco para a eternidade.

No texto de Mateus 26.36-46, vemos os fatos que antecederam a crucificação de Jesus. Nessa passagem, é relatada a angústia de Jesus em seus últimos momentos. Ali no Getsêmani, Ele dizia ao Pai que não queria morrer. Angustiado, Jesus ora ao Pai: "Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt 26.39). Jesus insiste e ora novamente. Enquanto isso, seus discípulos outra vez estavam em profundo sono.

E, pela terceira vez, Ele insiste com Deus na mesma pergunta.

No silêncio do Pai, Jesus entende que a cruz e a morte seriam o seu futuro e, com certeza, a vontade de Deus para a sua vida. De fato, a humanidade precisava ser salva daquela forma. Era preciso que Jesus morresse para que a humanidade pudesse ter vida. Então, Ele decide

obedecer e prontamente se entregar na cruz. Jesus não precisava morrer daquela maneira,

mas foi um modelo para nós: a morte que gera vida.

O resultado da morte é a vida


[...] a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte

de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome

que está acima de todo nome. (Fl 2.8-9)


A morte tem o poder de trazer a vida. O mesmo princípio se aplica a mim e a você. Se não

houver morte, entrega, preço pago em oração, em jejum, em vigílias, em abrir mão das nossas vontades, não haverá a vida de Deus em nossas células, em nosso casamento, em nossa

família. Quantos jejuns já fizemos pelo nosso casamento, pelos nossos filhos, pelas nossas

células, para que Deus venha gerar vida? Se não temos entrado pelo princípio da morte,

também não colheremos vida.

O que nos chama a atenção, no texto de Mateus 26, além da oração de Jesus, é a atitude dos discípulos. Enquanto o inferno se levantava, Jesus estava angustiado e profundamente triste.

Ele orava ao Pai e, enquanto isso, por três vezes, os discípulos ficaram dormindo. ;Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo; (Mt26.38);Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.

Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais!" (Mt 26.44-45).


O que você faria se seu pastor pedisse: "Estou profundamente triste, fica aqui e vigia comigo?

Vigia e ora. Imagino que você se prontificaria para estar e orar com ele naquele momento. Aquela era a hora de se posicionar, de se colocar na brecha, de orar, de interceder, mas os

discípulos dormiram. Assim também muitas mulheres estão dormindo em tempo de guerra.

Estão mais preocupadas consigo mesmas, com seus afazeres, com seus sonhos, com seus

planos pessoais do que com seu envolvimento na obra de Deus. Estão mais preocupadas com suas necessidades do que com as dos outros.

Não é tempo de dormir. É tempo de fazer vigília, é tempo de orar, de jejuar, de pagar um

preço, de morrer para que outros tenham vida.

Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis

que é chegada a hora. Levantai- -vos, vamos! (Mt 26.45-46)

Se queremos o mover de Deus em nossa vida, em nosso casamento, em nossa célula, em nossa

igreja, precisamos morrer para nós mesmas. É chegada a hora. Levantai-vos, vamos!

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